A corrida

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Eu e Jack passamos um tempo conversando sobre isso, e aos poucos fomos mudando de assunto.
- Então você namora uma garota de Dawson, não é? – Perguntei.
- Não... Quer dizer, eu saio com umas amigas de colégio, mas não namoro. – Ele falou descontraído.
- Então você não namora uma menina de Dawson chamada Joanna? – Perguntei.
- Não! – Falou ele rindo. – Eu não namoro... quer dizer, não namoro longe dos meus pais e dos dela. – Ele deu uma risada. – Nós somos só amigos, velhos e bons amigos sabe? Nossos pais queriam que nós namorássemos, trato de família, coisa de cidadezinha pequena quase uma vila. Nós fingimos namorar só na frente deles. Já faz três anos que namoramos, qualquer dia vou pedir ela em casamento. – Ele riu alto.
- Então ela é solteira, não é? – Perguntei.
- Claro... – Falou ele rindo e olhando desconfiado para mim. – Você ta querendo ficar com ela? – Perguntou ele rindo ainda mais.
- É... Ela é bonita... Eu não falei com ela... mas...
- Nossa! Não falou? Espera... – ele se levantou e depois me puxou. – Vou te apresentar ela.
Ele entrou na casa. E Depois saiu na porta da frente.
- Entra no seu carro, vou pegar o meu. – Ele correu mais para frente e levantou um grande galho que revelou seu carro prateado.
- Bom esconderijo. - Falei dentro do meu carro o ligando.
- Vamos, saia na frente. – Falou ele.
Meu carro parou.
- Meu carro parou! – Gritei. Jack pareceu tentar ligar seu carro, sem sucesso.
- Ele estava funcionando normal! – Gritou Jack a mim. Foi quando algo nos surpreendeu, a porta da frente abriu e fechou novamente.
- Tem alguém ali! – gritou Jack. – Foi bem o safado que Fez algo no nosso carro.
Ele desceu do carro segurando uma chave de fenda. E passou por mim, e eu desci rapidamente para acompanhá-lo. Aquela situação me incomodava, podia ser até medo, eu podia estar com medo, mas aquilo me assustava, era uma sensação de medo que eu já conhecia, não sei como.
Ele abriu a porta e uma luz forte vinha da porta de trás, vinha do lago. Eu puxei Jack para trás e fui na frente, olhei pela a brecha da porta. Era uma luz azul muito claro (era tão forte, que embaçou toda a minha vista), ela parecia ser uniforme no centro do lago, e sombras o rodeavam. Agora eu sabia o porquê do meu medo, as sombras era quem queria me matar pouco tempo atrás. Nós tínhamos que ir embora dali.
- Jack, Não faça barulho, vamos embora, vamos deixar o carro aí. – Cochichei para Jack. Nós não teríamos a mesma sorte que tive mais de um mês atrás em um homem mascarado me salvar.
- O que está havendo Robbie? – Falou Jack amedrontado.
- Vamos sair daqui. Falei andando apressado, mas cauteloso, e puxando o agora pálido Jack. Eu não podia negar aquilo me assustava mais do que tudo.
Abrimos a porta, mas já era tarde demais, a porta dos fundos se abriu, revelando uma pessoa.
- Ora o que vejo aqui? Robert Russel! – Falou a mesma mulher a quem tentou me matar. Eu virei para ele e tentei passar uma cara corajosa e segura.
- O que você quer comigo? – Mesmo tentando passar uma aparência de coragem, minha voz saiu tremula.
- Bom, você reduziu nosso trabalho, obrigado. Vocês nos poupou de te caçar. – Falou a mulher rindo. Enquanto isso pousava duas sombras atrás de nós, eu e Jack corremos mais para o centro do chalé. – Nós só queremos terminar o que começamos. E sem interrupções. E vejo que trouxe amigo.
- NOS DEIXE EM PAZ! – Gritei.
- CALADO! – Gritou o mesmo homem que gritou comigo no acampamento dos assassinos. Jack olhava para o lado e mordia o lábio.
- Bom, vamos logo terminar com isso... – Falou a mulher se aproximando de nós. Os outros riam felizes. Jack segurou firme no meu pulso e com um puxarranco gritou:
- A PAREDE ROBBIE! – Então ele me puxou em direção a parede, eu já entendia o que ele queria. A parede daquela cabana era de madeira velha, sendo assim fraca. Nós dois na corrida a chutamos e caímos para o outro lado. Logo ficamos de pé e saímos correndo por dentro da floresta. Nós os ouvíamos saírem da casa as pressas.
- CORRE ROBBIE! – Gritava Jack.
- É ISSO QUE ESTOU FAZENDO! – Gritei. Eu sentia que eles se aproximavam. Foi quando vi uma sombra entrar na frente de Jack e fazê-lo cair.
- JACK! – Gritei. Outra sombra me fez cair. Eu sai engatinhando, tentando me afastar, virei uma vez para ver se estava realmente me afastando.
- Adeus Russel! – falou a mulher, que repentina ficara pálida, suas presas suja e pontudas e unhas longas que avançavam para o meu peito.

00:32

Lago Secreto do Jack

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Ele olhou para mim.
- Se quiser já pode ir dirigindo seu carro. – Ele me olhou, tentando adivinhar o que eu realmente queria. – Se quiser pode ir para casa mais tarde. - Ele adivinhou o que eu queria.
- Você deixa? – Perguntei.
- Claro. Você é um rapaz, tem que ter um pouco de liberdade. – Era o que eu mais queria agora. – Ok então, te espero para o jantar, se não chegar até o jantar, eu ficarei louco naquela cidadezinha, e pode ter certeza, isso não é bom. – Então riu.
- Ok, eu chego antes do jantar, mas... – Ele me olhou confuso, e eu o olhei risonho. – Que horas é o jantar? – Ele soltou uma frouxa risada.
- Sete horas, garoto da cidade. – Jimmy jogou a chave do meu novo carro para mim e eu apanhei. Ele entrou no carro, saiu do estacionamento da loja e foi embora.
Peguei o carro e comecei a dirigir pela a cidade lentamente, tentando ver tudo que podia. A cada momento eu seguia mais em frente. Chegou um ponto em que se dava para ver uma faixa de estrada sem casa, era o fim da cidade. Devia voltar, mas algo mais forte que eu me atraiu para seguir em frente. Então prossegui. A estrada estava lisa (coberta de gelo), as margens haviam árvores também cobertas de gelo, era tudo tão... Branco ali.
A estrada prosseguia em uma linha reta, porém em um relance de olhar para o lado, notei que existia uma porteira coberta de gelo, que dificilmente seria notada. Dei ré. Parei o carro logo em frente. Não ultrapassei a porteira, mas olhei para ver se havia alguém. Pude notar que ao longe existia uma casa, um pouco acabada, toda e madeira. A casa parecia estar abandonada. Então impôs toda minha força para que a porteira abrisse, então ela deslizou no gelo.
Entrei no carro e o liguei, segue reto de porteira adentro. A estrada até a casa era mais longa do que eu pensei. Por que não havia traçado uma linha reta, seria mais rápido. Além de longo, o caminho era fino, tinha que andar com cuidado para que nenhum galho de árvore arranhasse o meu novo carro. Enfim cheguei à frente da casa. Liguei os faróis do carro para que iluminassem melhor a casa. Desci.
- Tem alguém? – Não esperava que realmente me respondessem, lá não era um lugar que alguém morasse. Abri a porta da casa. A casa era velha, bem velha. Parecia com a casa do Ernest, só que bem menos conservada.
A casa era pequena, logo eu cheguei a porta dos fundos, que estava entreaberta. Eu a empurrei mais, para que eu pudesse passar, e me deslumbrei com a visão. Era um lago grande, com árvores ao seu redor, e na minha frente, uma margem, sem árvore, e sim com uma pequena passagem. O que mais me surpreendeu, era aquele lago está totalmente descongelado, e outra coisa. Havia uma pessoa sentada à beira do lago, balançava as pernas dentro d’água.
- Oi? – Falei. O rapaz se virou. Ele era loiro, a pele era limpa e rosada. Era natural todos serem totalmente brancos, o sol que existia servia só para nada, nada realmente. Ele estava só de camisa.
- Oi. – Falou ele. – Parece que alguém descobriu meu lugar secreto. – Ele riu.
- Desculpe... Eu não sabia que aqui tinha alguém. – Falei.
- Não é meu Lugar. Eu gosto de ficar aqui... existe algo diferente aqui... – Ele falou, olhando para o lago.
- Talvez seja pelo o fato dele não estar congelado? – Perguntei risonho e me aproximando.
- É, talvez isso também, a temperatura da água também é bem diferente para aqui... – Ele riu. – Mas não é isso, é algo que me atrai. Prazer, sou o Jackson, pode me chamar de Jack.
- Prazer, Robert Russel, me chame só de Robbie. – Ele olhou para mim.
- Russel?
- É, sou sobrinho do Jimmy Russel, conhece? – Perguntei.
- É, conheço, ele está na justiça com meu pai pela a luta de um espaço de Dawson. Um grande espaço. – Falou ele, parecendo não gostar da luta entre o meu Tio e seu pai. – Eu nunca te vi aqui.
- Se visse, pode ter certeza que seria muito estranho. – Falei, e ele deu uma risada. – Sou novo aqui, tive que vim para cá, incidentes, sabe?
- É, sei... – Falou ele. Eu me sentei e passei a ponta dos dedos na superfície do lago. A água era morna.
- Seu pai é o Beggiefield? – Perguntei não me lembrando direito do nome.
- É Baggiefield... – Falou ele, depois riu.
- A água está morna... – Falei, sempre estranhando aquele sobrenatural.
- É. Eu venho aqui faz uns dois anos, e sempre é dessa temperatura. Já pulei, a água sempre é quente. – Falou ele. – Mas se você pular daqui. Eu juro, se você pular do outro lado, você pode sofrer muito de dor nos ossos. Eu já trouxe a lancha do meu pai, entrei pelo o outro lado. A água era realmente muito gelada, geladamente cortante. Mas quando fui daqui para até o outro lado à nado, não senti frio, a água era sempre morna. Estranho, não é?
- Claro, um lago deve ter sua única temperatura. – Falei.
- Tem gente na cidade que tem explicações para isso, essas terras são dela. – Falou ele.
- Quem é ele? – Perguntei curioso. Agora que ele tocou no assunto, queria ir afundo.
- Jimmy Russel Claterfield. – Falou ele olhando para mim.
04:10

Joanna

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- Ahh! – Gritei. – Desculpa Jimmy! Eu só vim conhecer a casa melhor.
- Tudo bem Robbie, natural, essa é sua nova casa. – Falou Jimmy sorrindo para mim. Suas palavras me soaram em algum momento agradáveis, era bom saber que mesmo sem meus pais, eu tinha alguém que preocupava com meu bem estar. O mais difícil disso tudo, tudo que era novo agora para mim, era novo sem os meus pais, isso não mudaria. – Bom, depois podemos conhecer melhor a casa, mas antes não prefere ir à cidade vizinha comprar roupas, objetos?
- Claro. – O respondi. Nós descemos as escadas e entramos no carro. Jimmy dirigiu por 2 horas até chegarmos a essa tal cidade, um pouco maior que Dawson. Fomos em algumas lojas (Que prefiro não detalhar muito), compramos roupas, algumas coisas que eu gosto. Paramos para um breve café antes de voltar para Dawson.
- É, Austinville é bem maior que Dawson, não acha? – Perguntou Jimmy, bebendo sua ultima golada de café.
- Vai depender, uma cidade não é só sua cidade em si, e sim o campo em que ela possui. – Falei também bebendo meu ultimo gole. – Aqui tem lojas grandes...
- É... – Falou Jimmy. – Lá em Dawson a maior loja que vamos encontrar é a Loja da Sra.Truting, e pode ter certeza, um antiquado de Dawson nem se compara a uma loja do Shopping daqui. – Ele riu. – Vamos?
- Claro. – falei rindo. – Você na volta vai ter que me contar mais sobre a grande população de Dawson.
- Com certeza, se for de toda a população da velha Dawson, na viagem de volta eu te contarei tudo. – Então entramos no carro.
Estávamos voltando pelo o mesmo caminho em que entramos naquela cidade quando Jimmy parou o carro surpreendentemente em frente a uma Loja de carros.
- O que acha? – Perguntou Jimmy a mim. – Você vai precisar de um carro, suponho.
- Ótimo! – Eu estava realmente feliz. – Eu pensava em comprar.
Nós descemos do carro do Jimmy e entramos na loja. Havia alguns que me interessaram, mas existia um em destaque. Era um Corolla 2008 preto. Um carro igual ao do Troy.
- Jimmy... Eu gostaria desse. – Então apontei para o carro.
- Claro. Eu compro pra você, espere só um momento. – Enquanto ele ia tratar da compra do carro, decidi ir lá fora, ver como andava o movimento.
Estava frio (Não era novidade), mas havia muita gente na rua, alguns carros passavam. Coloquei as mãos no bolso para tentar esquentar mais. Olhei para o lado. Foi uma surpresa. Quando virei a face vi uma garota que mesmo empacotada de roupas de frio era linda. Suas bochechas eram rosadas, os cabelos eram cor de mel e lisos (usava franja), tinha um lindo sorriso. Ela andava com mais duas amigas que também riam não sei do que. Eu fiquei a olhando por um tempo.
- Robbie? – Alguém falava comigo ao longe. – Robbie? Robert? – Então me toquei que Jimmy estava ao meu lado.
- Ah! Você falou? – Perguntei.
- Nem tente a namorar. – Falou Jimmy, parecendo ler meus pensamentos. – Os senhores Wallace nunca iriam o deixar namorar com a filhinha deles Joanna. – Ele mostrou na face um pouco do desafeto em cada nome que citava. – Eles acham que o único garoto bom demais para a filha é Jack Baggiefield, um garoto muito arrogante de Dawson. – Falou Jimmy.
- Ela mora em Dawson? – Perguntei me animando.
- Sim Robbie... – Falou Jimmy. – Mas como lhe disse... – Ele se aproximou mais de mim. – Ela só é garota para um garoto, o estúpido e bobalhão do Jack Baggiefield.
- Ah... Nós poderíamos ser só amigos, não é? – Falei um pouco risonho.
- Claro... – Falou ele duvidoso, parecendo (Novamente) ler meus pensamentos.
19:33

A terceira Porta

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A casa era grande por dentro, tinha um cheiro agradável, todos os móveis eram meio antigos.
- Gostei da casa. – Falei.
- Ela é morável. – Falou Jimmy a mim. – Está tarde, digo... Cedo. – Ele riu. – Você quer dormir? Vou te apresentar a casa.
Ela era realmente muito grande, me apresentou todos os andares e alguns cômodos, inclusive meu quarto, que era espaçoso, tinha uma aparência mais jovem, tinha um banheiro grande. Eu estava gostando. Ele me perguntou se queria comer algo, preferi não, preferi ir dormir, já era quase três da manhã.
Dormi.
Quando acordei eu estava deitado em uma cama confortável (o que há muito tempo eu não fazia). Olhei para a janela e vi uma árvore bem verde e coberta de gelo, algo que não vi na noite. Era tudo tão tranqüilo ali. Tranqüilo e frio, eu estava muito bem enrolado sobre a cama. Olhei para o outro lado e vi o relógio, era oito da manhã, decidir me levantar.
Desci as escadas e quando cheguei a cozinha, havia um bilhete que dizia: “Fui a cidade, volto às oito e meia.”. Já era oito e cinco da manhã, então fui conhecer melhor a casa agora iluminada.
Subi as escadas, estava no segundo andar. Havia um corredor com seis portas e no final uma nova escada. Andei e fui abrindo porta por porta. Nelas haviam quartos, armários, então decidi subir a outra escada. Em cada degrau que eu pisava, era uma rangedeira na madeira. No final da escada, havia um novo corredor e três portas.
Eu girei a maçaneta de uma das portas e ela abriu. O quarto mais parecia um arquivo de escritório, cheio de papeis espalhados. Dei uma olhada e uma meia volta e fechei a porta.
A segunda porta também abriu. Era um quarto com um berço e uma cadeira de criança. Aquele local estava empoeirado, por isso não entrei. Fechei a porta.
Me movi e estava em frente a terceira porta deste andar. Toquei na maçaneta e a girei, mas diferente das outras duas portas, esta nem se moveu. Tentei novamente, sem sucesso. Tentei de novo com mais força, mas a porta continuou fechada. Tentei girando a maçaneta e empurrando a porta para trás.
- Robbie?!? – Falou Jimmy no pé da escada, para a minha surpresa.
15:38

Jimmy Russel

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         Quando avistei a cidade, decidi falar algo.

 - Nós saímos da sua casa que horas? – Perguntei, mas continuei olhando pra frente.

 - Era uma da manhã... – Ele tirou uma mão do volante (o carro pareceu continuar normal) e viu que horas eram naquele momento. – Já é 01h35min, a casa do Jimmy Russel é depois da cidade, umas 15 minutos pra duas da manhã devemos estar lá.

         Passou-se o tempo, e chegamos lá. Era uma casa grande, 3 andares, toda de madeira, tinha uma aparência de antiga. Eu desci do carro e fiquei olhando para casa. Podia ser que fosse bom morar lá.

         Um senhor de aparência juvenil saiu da porta, ele descia as escadas rápido.

 - O que está fazendo com o meu sobrinho Crosswoar? – Perguntou o senhor, um pouco irritado.

 - Eu estava cuidando dele, Claterfield! – Falou Ernest, com uma voz áspera. Eu me meti no meio.

 - Olá. Sou Robert, Robert Claterfield. Você deve ser o Jimmy, não é? – Perguntei. - O avião que eu vinha sofreu um grave acidente, ele bateu em umas montanhas que esqueci o nome... Ele caiu, eu fui o único sobrevivente, tive sorte do Ernest me encontrar.

 - Foi nas montanhas HorseHouse. – Falou Ernest, encarando Jimmy. – Lugar que você sabe muito bem como é, em mínimos detalhes.

 - Vá embora! Não volta mais aqui e nem encoste mais no meu sobrinho! – Falou Jimmy se alterando.

 - Agora está protetor com ele não é? – Falou Ernest, parecendo calmo. – eu sei muito bem o motivo. – Foi quando o meu tio se aproximou rapidamente de Ernest e lhe deu um soco. Eu soltei um rápido: ô!

 - SAE! – Gritei. – Vai pra casa Ernest, por favor. – Então o olhei com um olhar quase tão pidão quanto de um animal doméstico faminto.

 - Ok, Robbie. Nos vemos depois. – Falou Ernest olhando para Jimmy. Então entrou no carro, e virou mais uma vez para Jimmy e o encarou e disse: - Quer ele queira ou não.

 - Claro. – Falei me virando para Jimmy. – Me desculpe, eu... Não sabia que existia essa rija entre vocês dois.

 - Tudo bem, Robbie. – Falou Jimmy, me mostrando um singelo sorriso. Sua face parecia bem juvenil, eu arriscaria dizer: Ele só tinha 27 anos no máximo. Ele olhou para os lados. – Você não tem malas?

 - Como eu disse. O avião caiu. Só o que restou do avião fui eu, acho. – Falei a ele. – Eu vou precisar ir comprar roupas pra mim...  

 - Claro, amanhã mesmo nós vamos. – Falou ele sorrindo mais uma vez. Ele parecia ser legal. – Amanhã vamos tirar o dia para o que quiser fazer. Mas vamos entrar, está frio aqui fora, eu vou te preparar algo quente. – Falou ele virando de costa e começando a subir a escada larga e me chamou, então corri e o acompanhei. HouseHorse

15:35

Cabana do Caçador

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Nós paramos quando notamos que eles nunca iam nos alcançar. Foi quando eu tentei olhar para o seu rosto.
- Quem é você? – Perguntei mais uma vez a ele.
- EU JÁ LHE DISSE! – Ele gritou comigo.
- Disse? – Falei surpreso, não havia ouvido nenhum nome.
- DISSE QUE NÃO LHE INTERESSA! – Gritou ele.
- Ô parceiro. Calma, você é muito nervoso. – Ele olhou para mim e deu um sorriso irônico.
- Você acha que eu não tenho motivos para ser sempre tão nervoso? – Foi quando ele cravou as unhas na cara – Eu estava chocado agora – e começou a tirar a própria face, e depois tirou a pele dos braços.
- O que é você? – Falei, fechando os olhos, e com muito nojo. Eu não sentia nojo de rato, nem de barata, eu sentia nojo daquilo agora.
- Olhou bem pra mim? – Então ele pegou a espada. – Agora volte a dormir. – E acertou em minha cabeça.

***
Levantei minha cabeça. Eu estava deitado numa cama confortável. Parecia estar de noite. O local que eu estava era iluminado por algumas luzes fracas. Parecia ser uma daquelas cabanas de caçador.
- Onde estou? – Falei.
- Você está na minha cabana. – Falou um senhor gordo e baixo que se levantou (Com dificuldade) da cadeira que estava sentado. – te encontrei a 5 Km daqui, deitado no meio da floresta. Notei que não era daqui, então decidi te trazer para cá. – Então ele se aproximou de mim e estendeu a mão. – Prazer, meu nome é Ernest, Ernest Russel. – Eu apartei a mão gorda dele, e depois que me toquei do nome que ele havia falado.
- Russel? Seu sobrenome é Russel? – Perguntei, perplexo.
- Sim, Russel, de Dawson City, você conhece? – Perguntou o senhor.
- Errr... Conheço, era para onde eu estava indo. Meu nome é Robert. Eu sou sobrinho de um Russel, eu não o conheço. Eu vou morar com ele, único familiar meu vivo agora. – Falei.
- Eu sei quem é você... Eu irei lhe levar para a cidade. Eu só estava esperando você acordar. – Falou ele. – Cadê suas coisas?
- Eu vinha em um avião, eu e meu advogado amigo. Ele caiu. Bateu nas montanhas... Esqueci o nome das montanhas. – Eu realmente não me lembrava.
- HorseHouse? Montanhas de HorseHouse? – Falou ele.
- É! HorseHouse! - Falei.
- Então quer dizer que só restou você? – Falou ele.
- É, meu amigo, ficou lá... – Falei, abaixando minha cabeça. Eu tinha que controlar o meu emocional. Já fazia dois meses e um dia que isso tinha acontecido. Ok, não passei esse tempo todo consciente, porém, já fazia esse tempo.
- Sinto muito pelo o seu amigo. – Falou ele.
- Sem problemas. – Falei tentando sorrir para ele.
- Então, sem malas, suponho?
- Sem malas. Eu acho que vou ter que comprar roupas para mim quando chegar a Dawson... – Falei mais para mim, do que para o senhor. Ele soltou uma risada.
- Você não vai achar roupas que goste lá, disso tenho certeza. – Falou o senhor.
- Ah, no shopping deve ter algo que me agrade... – falei.
- Shopping? – Ele riu novamente. – Você é engraçado garoto. Vamos.
Eu não o entendia. tudo que falei me pareceu soar normal. Eu o segui até a uma caminhonete vermelha.
- É quanto tempo daqui para Dawson? – Perguntei, quando ele ligou a caminhonete, e começou um barulho.
- PODE REPETIR? – Gritou ele.
- QUANDO TEMPO É DAQUI PARA DAWSON? – Então o barulho parou.
- 30 minutos de carro. – Falou ele.
- Ah... Então você conhece o Jimmy? – Perguntei.
- Sim. – Foi a única coisa que falamos, da casa do simpático Ernest Russel para Dawson.
11:21

Assassinos do escuro

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Eu a olhei assustado.
- COMO ASSIM? DOIS MESES? – Gritei.
- NÃO GRITE COM ELA! – Gritou o senhor pelo o qual já havia gritado.
- Calma Xavier. Ele só está um pouco assustado. – Falou ela, indo para próximo de mim. – Agora todos saiam, por favor. – E pelo o que me pareceu, a simpática senhora possuía moral sobre todos, todos haviam saído. – Muito bem querido. Seu avião sofreu uma grande queda. Não restou nada dele, e o que estava dentro dele, só você. E se demorasse mais dois dias ali iria morrer, ou ursos, ou frio, ou infecção. Estava cheio de ferimentos. Com esse período que passou junto com a gente, muita das pequenas feridas cicatrizaram, outras não.
- Eu quero voltar lá. O Troy... Ele era meu amigo. – Falei olhando nos olhos dela. Ela ficou calada por um momento.
- Eu digo a você, não existe mais Troy nenhum naquele avião. E s existir, não é o Troy de como você quer. – Falou ela, fazendo uma cara de piedade. – Durma querido.
Eu não ia conseguir dormir, mas já que a pessoa que cuidou de mim por dois longos meses me pedia tanto para dormir, ia ao menos ter a consideração de fingir dormir. Então deitei. E virei para trás.
- Bons sonhos, querido. – Falou ela, e então saiu. Fechei os olhos, mas sabia que não ia dormir, então decidi ficar ouvindo o que eles falavam.
- Ele acordou Milady, o que vamos fazer agora? – Perguntou uma desconhecida voz.
- Esperar um pouco, e depois executar ele. – Falou a senhora, que me assustava agora.
- E depois usar o sangue. Falta pouco, só mais 13 vitimas, e conseguimos. – Então me levantei rapidamente.
Eu precisava sair dali. Eles iam me matar. ME MATAR. Mas eu não podia me agitar. Eles iam notar, e iam me matar agora mesmo. Então procurei algo que rasgasse – Minha idéia era rasgar a cabana por trás e fugir sem que eles me notassem.
Encontrei uma pedra no chão. Então a posicionei para que a parte mais afiada pegasse o pano da cabana. Foi um perfeito rasgo. Vi se existia algo dentro daquela cabana que me pertencesse. Não tinha nada. Então sai pela a porta que havia acabado de criar por trás da cabana. E sai, em passos lentos, até achar que eles não seriam capazes de me ouvir.
Demorei uns 30 minutos para achar que eles não iam me descobrir. Então comecei a correr, não sei para onde, mas eu só corria, sem destino. Só queria ficar longe de todos aqueles psicopatas. Eu corria sem olhar para frente. Foi quando vi que estava errado em correr com os olhos fechados, mas todos sabem não é? Ninguém sabe prevenir, só remediar. Bati a cara em uma árvore e cai. Levantei atordoado. Continuei a corre, mas agora olhando para frente.
Foi quando eu comecei a ver imagens negras pulando de árvores em árvores enquanto corria. Comecei a me desesperar.
Fui obrigado a parar.
A senhora pela a qual me tratou tão bem, mas só para me matar estava parada na minha frente.
- Nossa bebê. Você está sendo ingrato com nós. Salvamos sua vida, não propositalmente, mas salvamos. E agora você nos deixou sem dar um tchau querido? – Eu a olhei horrorizado.
- Foram vocês que derrubaram o avião! Eu vi! A imagem negra que nem agora! Foram vocês! Tentaram me matar! – Gritei.
- Claro! Não queremos matar locais! Iam notar! E eles nem ligam para os estranhos. – Falou ela, enquanto os outros apareciam. – Vamos tornar o processo um pouco mais ligeiro, ok?
Então ela começou a andar a minha frente, e eu indo mais para trás. Foi quando uma florescente luz atingiu a todos nós, e sobre ela, um cara que segurava uma espada incrustada de algo que brilhava. Então ele a empunhou em um dos homens que acompanhava a senhora, e então o homem sumiu.
- RÁPIDO! SUBA! – Gritou o cara, estendendo a mão. Eu aceitei, ele ainda não havia me dito que queria me matar, era mais confiável do que eles.
- QUEM É VOCÊ? – Gritei, agora que nos afastávamos do grupo.
- NÃO LHE INTERESSA! – Gritou o cara. Eu me calei, aquelas suas palavras agiram sobre mim como: Você está careca e feio.
15:49

Malditas Montanhas

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Tudo parecia muito calmo. Eu escutava lá no distante, alguns pássaros cantarem, e alguns murmúrios que me fizeram abrir os olhos. Estava dentro de uma cabana de acampamento.
Levantei minha cabeça.
Aquilo tudo podia ser um sonho, não é? Realmente eu não precisasse sair de Dallas, e nem deixar meus amigos. Talvez meus pais nem tenham morrido. Talvez tenha sido tudo fruto da minha imaginação. Talvez tenha sido tudo só um sonho.
- Ele acordou! – E uma pessoa adentrou na cabana, sendo seguida por várias outras pessoas. Eu levantei e fiquei sentado rapidamente. Não conhecia nenhum deles. E eles? Olhavam-me, sem nada falar.
- Quem são vocês? – Perguntei, respirando um pouco mais devagar.
- Quem é você? – Perguntou um senhor que pareceu ignorar o que eu tinha falado. Ele usava um ridículo colete de pesca – aqueles que se encontra numa loja de compra de acessórios de pesca – e um chapéu, que pelo o que pude ver, tinha como enfeite, várias iscas. Ele era pálido, seus olhos eram negros e grandes, possuía uma barba mal feita e seus dentes eram amarelados. Os outros possuíam uma aparência semelhante. – QUEM É VOCÊ?
- Desculpa! Meu nome é... – Falei assustado com o senhor que havia acabado de me gritar. Graças a isso, não conseguia raciocinar direito. – Err... ROBERT! – Terminei como se estivesse surpresa em descobrir o meu próprio nome. – E vocês são...?
- Te encontramos nas montanhas de HorseHouse. Estava muito ferido... – Interferiu uma senhora, de cabelos loiros, a pele pálida como a do arrogante senhor. Era alta, e vestia a mesma ridícula roupa.
- Onde está o Troy? – Falei a ela, me levantando.
- Troy? Ele estava no avião com você? – Falou a senhora. Veio por trás, um rapaz de cabelos claros, pele pálida e olhos de cor azul e cochichou no seu ouvido algo que não pude escutar. – Ah... Bom, só encontramos você no avião, só você vivo.
Fechei os olhos. Todas as minhas pessoas queridas haviam morrido, me deixado, eu estava sozinho no mundo, só com muitos estranhos.
- O seu avião caiu... Trágico. Eu... sinto muito. Você tem que descansar querido. Deite, vamos sair. – Falou ela virando.
- Onde estamos? – Perguntei, antes que a única pessoa que a feição não me incomodou saísse.
- Estamos no condado de Middle Dawson. – Falou ela.
- Dawson? Estamos em Dawson City? – Perguntei, ainda um pouco atordoado.
- Não, estamos a 2 horas a pé de Dawson.
- Era meu destino, antes disso acontecer... – Falei, então pensei em algo que gostaria de saber. – A quanto tempo estou dormindo?
- 2 meses querido.
00:14

Péssima Viagem

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Enquanto o Sr. Jackson falava de meus atos imprudentes naquele prédio, eu carregava caixa por caixa até a garagem. Eu não estava nem aí para o que ele falasse, ele iria se livrar de mim em poucas horas, minutos até.
Quando terminei de carregar tudo, Sr. Jackson ainda falava. Eu sei que deveria me despedir deles, mas nunca fui de falar com eles. Então entrei no carro – que estava cheio de caixas: o banco de acompanhante da frente, os bancos de trás, e o porta-malas – e o liguei e sai.
Do prédio em que eu morava para o aeroporto durou 30mim. Chegando lá, estacionei o carro, eu ultimamente andava dirigindo carros com muita calma, e sem acelerar muito. Parei entre uma BMW vermelha 98, e um corsa atual. O carro do Troy era um Corolla 2008.
Desci do carro.
Fui direto para o checking do aeroporto, onde me esperava Troy.
- Vamos! – Falou ele entrando em uma sala.
- Troy, minhas coisas estão dentro do seu carro! – Falei, enquanto estava sendo arrastado.
- Entregue a chave ao segurança, ele colocará tudo dentro do seu avião. – Então passamos por uma parte escura, e daí veio o claro. A luz de duas horas da tarde. A luz foi ficando mais fraca – Meus olhos pareciam já se acostumar com a claridade – e avistei o avião. Ele era branco, de tamanho razoável. Ele era enorme só para mim e Troy.
Entramos.
15 minutos depois, partimos vôo. O dia estava lindo, visto de cima. Então decidi dormir. Ainda faltavam mais ou menos 5 horas de uma viagem tranqüila – e até tediosa – e eu precisava dormir.
Fechei os olhos.
Passou algum tempo, e então eu os abri. Nós ainda estávamos voando, logicamente. Troy estava lendo mais para trás do avião, foi quando me levantei um pouco e disse: - Estamos perto? – Então ele olhou para mim e sorriu.
- Chegamos em uma hora. – falou ele sorrindo novamente. – Ansioso, não é?
- Um pouco. Quero conhecer um lugar novo... Pode ser bom pra mim agora. – Falei.
- Você vai fazer saudade em Dallas. Você e seus pais... – falou ele, suas últimas palavras pareciam desaparecer enquanto ele falava. – Mas se quiser, pode passar as férias de verão na minha casa, nós podemos ir para o Lago Caddo juntos. Pode ir na primavera também. – Falou ele, com uma cara sonhadora – até fascinante, pareceu que ele gostou da própria idéia – enquanto olhava para o nada.
- É, vou ficar indo para Dallas todo o tempo que der. – Falei.
O avião começou a chacoalhar.
- Não é nada, só uma turbulência. Nós devemos estar entre uma corrente de ar. – Falou Troy se segurando na cadeira.
O chacoalhar do avião não parava. Foi quando me deu uma incrível e instantânea surdez.
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO? – Gritou Troy abrindo a porta do piloto.
- ESTAMOS PERDENDO ALTITUDE. SE SEGUREM! – Gritou o Co-piloto. Sua voz estava com falhas, o que me indicava que ele estava colocando bastante força para controlar o avião.
Troy correu para o meu lado.
- Vai passar! Não se preocupe! – Falou ele sentando ao meu lado, e se segurando firme na poltrona, e forçando a cabeça para trás. Ele estava pálido.
- Troy... O que está acontecendo? – Falei, eu estava nervoso.
- Nada, os pilotos são bons, daqui a pouco controla. – Quando ele terminou de falar, houve uma explosão. Ele olhou para a porta da cabine do piloto. Nós escutamos o piloto gritar com o co-piloto: “A TURBINA DIREITA EXPLODIU! EXPLODIU!”.
Eu fechei os olhos com força.
- Vai passar Robbie! – Gritava Troy para mim. – Vai passar!
- Eu sei que vai! – E gritava, tentando também acalmá-lo.
- Vai passar Robbie! – Gritou ele mais uma vez, então abri os olhos um pouco, e vii que ele estava de olhos super fechados. Ele segurava com força o braço da poltrona.
- NÃO VAI DAR! VAMOS CAIR! – Gritou o Co-piloto.
- Vamos sair bem Robbie! – Gritou Troy, com os olhos fechados. Algo que me tocou, ele soltou o braço da poltrona, e pousou a sua mão sobre a minha, e então a segurou com força.
- Vai passar! – Falou baixinho Troy. Foi quando houve um barulho estrondoso na frente do avião. Olhei para trás, estava tudo se contorcendo e uma imensa escuridão se apossava do avião (Foi o que mais me assustou no momento). Parecia que estávamos batendo e sendo jogados para outras montanhas. Foi quando houve um imenso barulho – O avião começara a rolar sobre uma montanha, e nesse movimento, perdeu as asas e começava a perder o casco do avião-. Eu e Troy não conseguíamos mais ficar sentados, e começamos a rolar de um lado para outro no avião, porém, ele nunca soltara ou afrouxara minha mão.
Em um de nossos giros, fui direto contra um braço de uma das poltronas e bati a cabeça.
17:56

Caixas na escada

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Eu estava com todo o meu ódio agora direcionado para Troy. Como ele pôde fazer aquilo? Ele pareceu meu pai, conservador e tradicional. O Troy que eu conhecia não era daquele jeito, e eu tinha que reclamar
- Troy! Porquê fez aquilo? – Perguntei chegando à cozinha, ainda sem camisa.
- Eu só estou cuidando de você como seus pais cuidariam Robbie. – Falou ele, olhando para mim.
- Claro! Mas parece que meu pai entrou em você! De uma hora pra outra vira um homem careta e sem sentimentos por um amigo. – Falei, mostrando toda minha indignação.
- Robbie, não faça uma tempestade dentro de um copo d’água. Você já é grandinho demais para saber que existem garotas que fazem isso só pelo o dinheiro, pelo o qual você tem muito. – Falou ele, sempre em um tom calmo.
- A Alice não é assim! – Protestei.
- Como tem tanta certeza, entrou na mente dela? – Falou Troy levantando-se e me encarando. – Você não a conhece perfeitamente! Ninguém a conhece! Se limite rapaz! Haverá outras garotas que queiram fazer com você. – Então, se deu por encerrada a conversa quando ele saiu da cozinha dizendo:
- Nós não vamos mais com uma companhia aérea. O Jatinho do seu pai foi liberado, nós podemos até pousar em Dawson se tiver local. – Então um barulho de porta batendo aconteceu, e desconfiei que Troy tenha saído. Então fui ajeitar uma ultima caixa.
Conhecendo Troy, ele com certeza ia querer sair o mais depressa possível, ou seja, com certeza ia me apresar para sairmos daqui a 2 horas.
E foi assim que aconteceu, a pouco mais de 2 horas, Troy me ligou, pedindo para que eu pegasse o seu carro na garagem do prédio e fosse até o aeroporto, com todas as caixas dentro.
Foi trabalhoso. Carreguei caixa por caixa, até a porta do elevador. Quando coloquei as 10 caixas divididas em 2 colunas, cada coluna com 5 caixas, fui pegar minhas duas malas. Eram grandes. Eu teria que traçar um plano rápido para quando o elevador parasse no térreo. Elevadores não costumam esperar muito, são totalmente sem paciência – e eu insano por dizer isso -. Carreguei minhas duas malas a frente do elevador, e então apertei o botão para que ele subisse. Esperei. Esperei e nada. Apertei mais uma vez, e nada do elevador subir e parar com sua porta aberta, me esperando entrar.
Apertei de novo.
Foi quando um vizinho me disse:
- Está tentando descer no elevador? – Perguntou o cara, pelo o qual nunca falei.
- É, eu queria. Mas ele não chega. – Falei.
- É por quê ele está com defeito. Mas já devem consertar, questão de 1 hora. – Falou o vizinho.
- 1 hora?! – Falei assustado.
- Ou então pode descer de escada. – Falou ele, entrando em uma porta.
- Ótimo, como vou descer com 10 caixas e 2 malas 15 andares de escada? – Perguntei a mim mesmo. Fui quando tive a estúpida idéia. Iria jogar tudo, para que descessem tudo bolando.
Empurrei uma coluna de caixa por vez até o beiral da escada, e depois trouxe as malas.
Me afastei um pouco. Foi quando, tomei fôlego, e chutei a base de uma coluna de caixas para a frente, fazendo com que todas as caixas descessem “bolando” pela a escada. Batiam na parede, amassavam. E continuava a descer. Então repeti o ato com a outra coluna, e depois empurrei as duas malas.
É, minha mão estava livre, sem peso. Essa podia ser uma boa idéia. Uma boa idéia até quando cheguei ao térreo, onde o Síndico me esperava, batendo o pezinho dele.
- Por quê você fez isso? – Perguntou o Síndico a mim.
- Porquê o elevador estava quebrado. Então tive que descer pelas escadas, e não tinha como eu descer com isso tudo na mão, então joguei. – Falei, pegando uma caixa.
- Você algum dia ouviu falar em Elevador de carga? – Perguntou ele a mim, me tratando feito um retardado.
- Ok, da próxima vez eu me informo onde fica esse elevador e desço por ele. Sem problemas, tudo resolvido. Não aconteceu nada. – Falei.
- Não aconteceu nada? – Perguntou o Síndico rabugento do Sr. Jackson. – Você acertou Dona Carmelia com as caixas, por sorte ela estava ainda no terceiro degrau, imagine se ela já estivesse no 7º andar. O tamanho da desgraça que você, mais uma vez traria?! – Falou ele, apontando para Dona Carmelia, que estava sentada com uma bolsa de gelo presa no joelho.
Você deve se perguntar o porquê o Síndico dizer: “O tamanho da desgraça que você, mais uma vez traria”. Esse senhor é rancoroso, só houve um problema – ao menos só um problema sério – que eu me envolvesse naquele prédio, da vez que a vitima foi ele.
Eu jogava bola na recepção, não me responsabilizava em acertar algo, foi quando o Sr. Jackson entrou pela a porta, e de recepção mesmo, recebeu uma bolada na cara, que quebrou o óculos, e com o pedaço quebrado do óculos, vem cortes no seu rosto.
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