Péssima Viagem

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Enquanto o Sr. Jackson falava de meus atos imprudentes naquele prédio, eu carregava caixa por caixa até a garagem. Eu não estava nem aí para o que ele falasse, ele iria se livrar de mim em poucas horas, minutos até.
Quando terminei de carregar tudo, Sr. Jackson ainda falava. Eu sei que deveria me despedir deles, mas nunca fui de falar com eles. Então entrei no carro – que estava cheio de caixas: o banco de acompanhante da frente, os bancos de trás, e o porta-malas – e o liguei e sai.
Do prédio em que eu morava para o aeroporto durou 30mim. Chegando lá, estacionei o carro, eu ultimamente andava dirigindo carros com muita calma, e sem acelerar muito. Parei entre uma BMW vermelha 98, e um corsa atual. O carro do Troy era um Corolla 2008.
Desci do carro.
Fui direto para o checking do aeroporto, onde me esperava Troy.
- Vamos! – Falou ele entrando em uma sala.
- Troy, minhas coisas estão dentro do seu carro! – Falei, enquanto estava sendo arrastado.
- Entregue a chave ao segurança, ele colocará tudo dentro do seu avião. – Então passamos por uma parte escura, e daí veio o claro. A luz de duas horas da tarde. A luz foi ficando mais fraca – Meus olhos pareciam já se acostumar com a claridade – e avistei o avião. Ele era branco, de tamanho razoável. Ele era enorme só para mim e Troy.
Entramos.
15 minutos depois, partimos vôo. O dia estava lindo, visto de cima. Então decidi dormir. Ainda faltavam mais ou menos 5 horas de uma viagem tranqüila – e até tediosa – e eu precisava dormir.
Fechei os olhos.
Passou algum tempo, e então eu os abri. Nós ainda estávamos voando, logicamente. Troy estava lendo mais para trás do avião, foi quando me levantei um pouco e disse: - Estamos perto? – Então ele olhou para mim e sorriu.
- Chegamos em uma hora. – falou ele sorrindo novamente. – Ansioso, não é?
- Um pouco. Quero conhecer um lugar novo... Pode ser bom pra mim agora. – Falei.
- Você vai fazer saudade em Dallas. Você e seus pais... – falou ele, suas últimas palavras pareciam desaparecer enquanto ele falava. – Mas se quiser, pode passar as férias de verão na minha casa, nós podemos ir para o Lago Caddo juntos. Pode ir na primavera também. – Falou ele, com uma cara sonhadora – até fascinante, pareceu que ele gostou da própria idéia – enquanto olhava para o nada.
- É, vou ficar indo para Dallas todo o tempo que der. – Falei.
O avião começou a chacoalhar.
- Não é nada, só uma turbulência. Nós devemos estar entre uma corrente de ar. – Falou Troy se segurando na cadeira.
O chacoalhar do avião não parava. Foi quando me deu uma incrível e instantânea surdez.
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO? – Gritou Troy abrindo a porta do piloto.
- ESTAMOS PERDENDO ALTITUDE. SE SEGUREM! – Gritou o Co-piloto. Sua voz estava com falhas, o que me indicava que ele estava colocando bastante força para controlar o avião.
Troy correu para o meu lado.
- Vai passar! Não se preocupe! – Falou ele sentando ao meu lado, e se segurando firme na poltrona, e forçando a cabeça para trás. Ele estava pálido.
- Troy... O que está acontecendo? – Falei, eu estava nervoso.
- Nada, os pilotos são bons, daqui a pouco controla. – Quando ele terminou de falar, houve uma explosão. Ele olhou para a porta da cabine do piloto. Nós escutamos o piloto gritar com o co-piloto: “A TURBINA DIREITA EXPLODIU! EXPLODIU!”.
Eu fechei os olhos com força.
- Vai passar Robbie! – Gritava Troy para mim. – Vai passar!
- Eu sei que vai! – E gritava, tentando também acalmá-lo.
- Vai passar Robbie! – Gritou ele mais uma vez, então abri os olhos um pouco, e vii que ele estava de olhos super fechados. Ele segurava com força o braço da poltrona.
- NÃO VAI DAR! VAMOS CAIR! – Gritou o Co-piloto.
- Vamos sair bem Robbie! – Gritou Troy, com os olhos fechados. Algo que me tocou, ele soltou o braço da poltrona, e pousou a sua mão sobre a minha, e então a segurou com força.
- Vai passar! – Falou baixinho Troy. Foi quando houve um barulho estrondoso na frente do avião. Olhei para trás, estava tudo se contorcendo e uma imensa escuridão se apossava do avião (Foi o que mais me assustou no momento). Parecia que estávamos batendo e sendo jogados para outras montanhas. Foi quando houve um imenso barulho – O avião começara a rolar sobre uma montanha, e nesse movimento, perdeu as asas e começava a perder o casco do avião-. Eu e Troy não conseguíamos mais ficar sentados, e começamos a rolar de um lado para outro no avião, porém, ele nunca soltara ou afrouxara minha mão.
Em um de nossos giros, fui direto contra um braço de uma das poltronas e bati a cabeça.
17:56

1 Response to "Péssima Viagem"

Débora Braga Says :
4 de fevereiro de 2009 às 10:59

POSTA MAIS, POSTA MAIS :B

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