Caixas na escada

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Eu estava com todo o meu ódio agora direcionado para Troy. Como ele pôde fazer aquilo? Ele pareceu meu pai, conservador e tradicional. O Troy que eu conhecia não era daquele jeito, e eu tinha que reclamar
- Troy! Porquê fez aquilo? – Perguntei chegando à cozinha, ainda sem camisa.
- Eu só estou cuidando de você como seus pais cuidariam Robbie. – Falou ele, olhando para mim.
- Claro! Mas parece que meu pai entrou em você! De uma hora pra outra vira um homem careta e sem sentimentos por um amigo. – Falei, mostrando toda minha indignação.
- Robbie, não faça uma tempestade dentro de um copo d’água. Você já é grandinho demais para saber que existem garotas que fazem isso só pelo o dinheiro, pelo o qual você tem muito. – Falou ele, sempre em um tom calmo.
- A Alice não é assim! – Protestei.
- Como tem tanta certeza, entrou na mente dela? – Falou Troy levantando-se e me encarando. – Você não a conhece perfeitamente! Ninguém a conhece! Se limite rapaz! Haverá outras garotas que queiram fazer com você. – Então, se deu por encerrada a conversa quando ele saiu da cozinha dizendo:
- Nós não vamos mais com uma companhia aérea. O Jatinho do seu pai foi liberado, nós podemos até pousar em Dawson se tiver local. – Então um barulho de porta batendo aconteceu, e desconfiei que Troy tenha saído. Então fui ajeitar uma ultima caixa.
Conhecendo Troy, ele com certeza ia querer sair o mais depressa possível, ou seja, com certeza ia me apresar para sairmos daqui a 2 horas.
E foi assim que aconteceu, a pouco mais de 2 horas, Troy me ligou, pedindo para que eu pegasse o seu carro na garagem do prédio e fosse até o aeroporto, com todas as caixas dentro.
Foi trabalhoso. Carreguei caixa por caixa, até a porta do elevador. Quando coloquei as 10 caixas divididas em 2 colunas, cada coluna com 5 caixas, fui pegar minhas duas malas. Eram grandes. Eu teria que traçar um plano rápido para quando o elevador parasse no térreo. Elevadores não costumam esperar muito, são totalmente sem paciência – e eu insano por dizer isso -. Carreguei minhas duas malas a frente do elevador, e então apertei o botão para que ele subisse. Esperei. Esperei e nada. Apertei mais uma vez, e nada do elevador subir e parar com sua porta aberta, me esperando entrar.
Apertei de novo.
Foi quando um vizinho me disse:
- Está tentando descer no elevador? – Perguntou o cara, pelo o qual nunca falei.
- É, eu queria. Mas ele não chega. – Falei.
- É por quê ele está com defeito. Mas já devem consertar, questão de 1 hora. – Falou o vizinho.
- 1 hora?! – Falei assustado.
- Ou então pode descer de escada. – Falou ele, entrando em uma porta.
- Ótimo, como vou descer com 10 caixas e 2 malas 15 andares de escada? – Perguntei a mim mesmo. Fui quando tive a estúpida idéia. Iria jogar tudo, para que descessem tudo bolando.
Empurrei uma coluna de caixa por vez até o beiral da escada, e depois trouxe as malas.
Me afastei um pouco. Foi quando, tomei fôlego, e chutei a base de uma coluna de caixas para a frente, fazendo com que todas as caixas descessem “bolando” pela a escada. Batiam na parede, amassavam. E continuava a descer. Então repeti o ato com a outra coluna, e depois empurrei as duas malas.
É, minha mão estava livre, sem peso. Essa podia ser uma boa idéia. Uma boa idéia até quando cheguei ao térreo, onde o Síndico me esperava, batendo o pezinho dele.
- Por quê você fez isso? – Perguntou o Síndico a mim.
- Porquê o elevador estava quebrado. Então tive que descer pelas escadas, e não tinha como eu descer com isso tudo na mão, então joguei. – Falei, pegando uma caixa.
- Você algum dia ouviu falar em Elevador de carga? – Perguntou ele a mim, me tratando feito um retardado.
- Ok, da próxima vez eu me informo onde fica esse elevador e desço por ele. Sem problemas, tudo resolvido. Não aconteceu nada. – Falei.
- Não aconteceu nada? – Perguntou o Síndico rabugento do Sr. Jackson. – Você acertou Dona Carmelia com as caixas, por sorte ela estava ainda no terceiro degrau, imagine se ela já estivesse no 7º andar. O tamanho da desgraça que você, mais uma vez traria?! – Falou ele, apontando para Dona Carmelia, que estava sentada com uma bolsa de gelo presa no joelho.
Você deve se perguntar o porquê o Síndico dizer: “O tamanho da desgraça que você, mais uma vez traria”. Esse senhor é rancoroso, só houve um problema – ao menos só um problema sério – que eu me envolvesse naquele prédio, da vez que a vitima foi ele.
Eu jogava bola na recepção, não me responsabilizava em acertar algo, foi quando o Sr. Jackson entrou pela a porta, e de recepção mesmo, recebeu uma bolada na cara, que quebrou o óculos, e com o pedaço quebrado do óculos, vem cortes no seu rosto.
00:41

1 Response to "Caixas na escada"

Débora Braga Says :
1 de fevereiro de 2009 às 12:56

Robbie, seu garoto malvado. (66'
AMAY!*--*

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