Chegamos em casa às nove horas da manhã. Estava tudo fechado, e o carro de Jimmy não estava na frente da casa. Antes de desde período andamos por muito tempo floresta a dentro para não voltarmos por o lago, e ainda andamos a pé até Dawson, e agora estamos aqui.
- Jimmy? - Perguntei entrando e chamando Jack para entrar. - Ele não ta aqui.
- Ótimo. - Falou ele. - Agora desde que eu te perguntei quem são, você não falou mais nada. Quem são eles?
- Eu não sei, só sei que eles me atacaram a um tempo atrás. - Falei.
- Então eles vieram atrás de você? - Perguntou ele, me olhando como se eu escondesse algo (estando ele certo).
- É, talvez. - menti, eu tinha certeza que queriam terminar o trabalho da outra vez. - Eles tiveram sorte de estar no mesmo local que eles.
- Então agora ele vêem atrás de nós? Jack estava apreensivo com a resposta que eu poderia lidar.
- Pode ser... - o chamei até a cozinha e ele me acompanhou.
- ROBBIE? - Gritou Jimmy, que possivelmente estivesse na porta da frente.
- Eu estou na cozinha! - Gritei, logo depois ele apareceu na porta da cozinha, ofegante.
- Onde você estava? Prometeu que ia está de volta antes do jantar! - Falou Jimmy olhando para mim. - Só voltou após o café da manhã! te procuro desde ontem às 21:00, e nenhum sinal seu! - Ele virou o rosto para ver a outra presença naquela cozinha. - Você!
- Bom dia Sr. Russel. - Falou Jack se levantando. - Bom Robbie, eu vou indo, meu pai deve estar louco me caçando.
- Ok, nos vemos amanhã na escola.- Falei para Jack, Jimmy não parava de olhar para ele enquanto caminhava até a porta.
- Jimmy, eu atrasei não foi por que eu quis. Eu comecei a andar pela cidade e cheguei até um lago. Lá um grupo vez algo comigo. - Falei.
- Um grupo, que grupo? - Jimmy me puxava para sentar.
- Eles são estranhos, eu já tinha visto, eles tentaram me matar.
- Matar!?! - Surpreendeu-se Jimmy.
- É, e tentaram me afogar agora!
- Então vamos a policia prestar queixa!
- Não Jimmy! Eles são diferentes, eles não são humanos.
- Claro que são!
- Não são! Eles... - Eu respirei fundo, e pensei em algo menos sobrenatural, e mais real e sensato a dizer. - Eles podiam nos pegar com facilidade. Eles pareciam sombras atrás de nós - Pronto, havia perdido o rumo da sensatez.
- Sombras? - Ele me olhava chocado.
- É - Levantei a roupa e mostrei o corte que haviam me feito. - Foi eles, após isso me jogaram no lago. - Eu o contei todos os fatos, e ele me perguntou o que Jack fazia lá.
Ele após ter me escutado subiu e desceu com uma arma.
- A ONDE VOCÊ VAI COM ISSO? – Perguntei entrando na sua frente.
- Pegar seu carro, oras. Vou chamar mais pessoa, não se preocupe, só não saia de casa. – Disse-me me afastando pro lado e saindo. Pouco tempos depois ouvi o som do carro ligando e depois se afastando. Eu tinha uma tarde sozinha e assustadora. Era um momento certo - porém desconfortável – para se pensar com o que me havia acontecido nas ultimas vinte e quatro horas.
Comprei meu primeiro carro, fiz amizade com um nativo, quase fui morto. Era muitos feitos para um dia. Sem contar o fato de andar quilômetros somente evitando passar por uma cabana. A cidade para mim estava mais agitada do que Dallas, até mais do que devia, e mais do que eu gostava. O que me poderia acontecer amanhã? Reencontrar aquelas pessoas pela a qual pareciam adorar tirar sangue do meu corpo? Talvez não, talvez eu morresse dentro do meu carro quando fosse para o meu primeiro dia na minha nova escola. Meu carro poderia deslizar pelo o chão e bater em uma árvore lodosa que onde aqui havia muitas.
Talvez, mais impossível que qualquer outra hipótese que eu tenha criado para minha morte, eu morresse por vítima de uma ponta de lápis tampar minha respiração. Poderia morrer engasgado com o almoço novo na escola. Todos na escola poderiam me matar. Eu estava me tornando paranóico. Tinha medo de morrer, inegável. Todos têm, ou vão ter, quando quase chegar a hora, aquela fina linha traçada entre as pernas de urina sempre vai aparecer, e isso vai indicar medo, pânico. Foi isso que me aconteceu. Você vai poder achar engraçado, mas isso não era bom, não era bom para mim. Eu sempre fui desde criança medroso, mas sempre passava após um tempo, após algumas palavras. Meu pai, Julius Claterfield, me dizia que sempre que existisse medo, existiria uma pontada de coragem, e que se eu quisesse que esse meu medo, essa minha fraqueza, se transformasse em lição de vida, e de esforço, eu deveria ter força e coragem o bastante para enfrentá-lo. E assim que eu devia pensar, desta forma. Eu deveria ter coragem, não a coragem de enfrentar aquele bando sozinho, aí da minha parte não seria coragem, seria uma burra loucura, correr para a morte, algo impensável para mim, eu nunca faria isso. Eu sempre achava muito heróico, muito heróico demasiadamente quando o mocinho de filme que morria para defender seus amigos. Isso tudo não era preciso, ele podia salvar a sua vida, e de seus amigos. Na natureza, esta mesma burrice acontece, quando um leão corre atrás de uma gazela, em meio à savana africana, quando essa Gazela anda com outras gazelas. As outras sempre se metem à afoitas e tentam defender a amiga, uma sempre morre. É estúpido querer salvar sem ter certeza que seu ato não será em vão. É o mesmo que você dizer: Não, vou guardar esse pão, por que ele está menos dourado, e só tem ele e esse. Sempre quando deixar só uma opção, outra vai vim e pegar. É inevitável, é querer perder o que já está perdido, procurar algo já achou, salvar algo que está a salvo, ou que não tem mais salvação.
Falando assim, me sentia um monstro sem sentimentos, mas era o que eu sentia naquele momento. Os meus amigos não me ligavam, se esqueceram de mim, a única pessoa que parecia se importar comigo agora era Jimmy. E foi ele que chegou, depois de algum tempo que para mim fora curterrímo.
- Seu carro está lá fora. – Falou Jimmy, adentrando a casa. – O estrago na parede esquerda foi feio hein? Vocês dois tem força. – Eu olhei por a janela para fora da casa. Meu Corolla preto estava estacionado a frente da casa, o dia Mesclava um tom negro à cima e cores como azul e laranja abaixo. O Sol se punha e a lua crescia, tornando aquela visão tão negra quanto à de ontem, porém, agora na segurança e aconchego da casa do Jimmy.
- Ainda bem que o encontrou, obrigado. – Falei, sem realmente saber o que falar.
- Ah! Não foi nada. – Falou Jimmy sorrindo. – Eu recebi ajuda de alguns amigos, nunca tinha ido naquele local, se quer saber. – falou ele, me olhando intrigado. – Mas o que faz a tarde aqui? – Perguntou ele.
Essa era uma boa pergunta, o que eu havia feito, o resto da manhã e a tarde inteira aqui? Nada... Só havia ficado sentado, tomando café e pensando em como eu poderia quase morrer amanhã.
- Nada demais, só ajeitei minhas coisas no meu quarto. – Menti. – E tomei café.
- Hum, que bom, não queria que saísse hoje, deixar a poeira baixar. – Falou ele. – Bom, vou subir e tomar banho, nós vemos mais tarde no jantar. Faça o mesmo, eu encomendei comida no Restaurante da Sheyla.
- Os Sally não vão trabalhar hoje? – Perguntou uma mulher em uma casa, que segurava uma pá e parecia tirar um pouco da neve.
- Acho que não, eles devem achar que ninguém no trabalho merece a companhia deles. – falou uma mulher que estava encostada na cerca.
- Eles não são perfeitos... – falou a mulher que parou de cavar a neve e agora se interessa pela conversa.
- Mas quase estão sendo perfeitos... – Falou a outra.
Dentro da casa dos Sally, Molly Sally estava na cozinha e parecia preparar o café da manhã, o jovem Sr. Sally descia das escadas, enquanto ajeitava a sua gravata e segurava uma maleta.
- Bom dia amor. – Falou ele.
- Bom dia querido. – Falou ela sorrindo para ele.
- Onde está a Jennifer? – Perguntou o Sr. Sally.
- Está lá em cima, eu já a chamei, mas ela não desceu, amor. – Falou ela, fritando ovos.
- Eu vou lá em cima pegar minha queridinha. – Falou ele se levantando e subindo as escadas.
Chegando lá em cima, ele bateu na porta.
- Querida? – Perguntou ele. Ninguém respondeu. – Querida!! – Ele rodou a maçaneta e nada. Seus olhos incharam, seu rosto ficou vermelho, o sangue discreto que passava pelos vasos em seu rosto agora estava em destaque na sua pele branca. Ele fechou as mãos e começou a bater com força na porta. – ABRA ESSA PORTA! AGORA! ABRA! ABRA! – Ele batia vez com mais força. A porta tremia.
A pequena Sally acordou aos gritos.
- ABRA ESSA PORTA! AGORA! – gritava ele. Sua mulher subia correndo as escadas. – ABRA ESSA PORTA! ABRA! ABRA ISSO!
- O QUE É ISSO JONATHAN? – Gritava a mulher.
- CALE A BOCA! – gritava ele furioso para a mulher enquanto batia mais na porta. Ela tentou o segurar, em vão. Ele era mais forte e a arremessou para longe. Depois foi até ela e a levantou puxando os cabelos. Ela gritava, doía aquilo tudo nela.
Ele a levantou ainda pelo o cabelo e a jogou para a porta. Depois chutou a porta e encontrou a filha encostada na cabeceira da cama, se cobrindo tentando se esconder, e chorando. Jonathan Sally foi ate ela e a puxou pelo o braço e a jogou (literalmente) para fora do quarto. Saiu do quarto e segurou os braços das duas e as arrastou de escada abaixo, passando pela a cozinha e pegando um facão, que possivelmente Molly Sally o usava para cortar as suaves carnes grelhadas e levemente apimentadas que ela fazia todos os domingos para sua linda e esposo, e não mais adorável marido.
Ele as arrastou do segundo andar até o jardim, a rua ainda estava movimentada, e as pessoas começavam a observar aquilo. Jonathan as jogou no chão, e depois aprontou a faca e esfaqueou a garganta da filha, que no exato momento começou a jorrar sangue para todos os lados, inclusive a sua camisa passada o pano, branca com listras cinzas, e sua gravata preta com também listras cinzas. Após golpear a filha, Jonathan começou a esfaquear a barriga de sua mulher, que gritava agonizantemente por ajuda. Os vizinhos corriam para ver a cena, mas depois que viam o que acontecia, se afastavam, para também não serem vitimas, mas porém, muito horrorizados.
Ele a esfaqueava brutalmente, o sangue voava até seus delicados traços faciais, não só as agora falecidas Jennifer e Molly estavam ensangüentadas, mas também Jonathan, o ex-pai e ex-marido perfeito.
- ME LARGA! – eu gritava me batendo, enquanto ela me puxava com firmeza. – ME LARGA SUA VADIA! – Era virou para mim e cuspiu na minha cara. A sua saliva queimou quando entrou com contato com a minha pele.
- Me insulte de novo e eu lhe mato. – Falou ela ameaçadoramente.
Arrastaram-nos até chegarmos as portas do fundo da casa. A mulher se aproximou do Jack e o levantou com uma única mão.
- Esse aqui é inútil. – Falou ela. Um homem, possivelmente atrás de mim disse.
- Mas o jogue também. – Ela olhou para trás de mim com uma cara não muito boa.
- Você e suas manias. – Falou ela arremessando com uma imensa força Jack para o campo redondo e azul no meio o lago.
- JAAAAAACK! – Gritei, mas fui arrematado por o susto. O corpo de Jack, que eu esperava que se espatifasse dentro d’água, quando atravessou o campo, seu corpo começou a levitar, e ele parecia se mexer.
- Sua vez querido. – Falou ela aproximando de mim e me segurando pela jaqueta. Ela segurava um punhal, e com este punhal vez um corte em meu braço. Então me arremessou. Eu senti como se o vento fosse partir cada algo solido que estava no meu corpo, foi quando numa grande batida eu cai dentro d’água. Foi algo extraordinário, foi somente meu braço cortado mergulhar dentro da água que o campo de força aumentou, aumentou, aumentou, a luz alcançava agora a margem, foi quando a luz explodiu em todas as direções e no centro do lago Jack caiu. Várias sombras saiam, indo a todas as direções, eu tentava nadar indo em direção ao Jack, a luz era forte e me confundia. Mais e mais vultos negros se espalhavam, uns até quase batiam em mim, mas desviavam. Quando alcancei Jack, toda a luz azul que estava espalhada por ali se junto mais uma vez no centro. Era como um grande choque no meu corpo. Eu sentia cada poro do meu corpo se abrir mais, era doloroso. Parecia que meu osso se dobrava. Eu não estava mais agüentando a dor.
- AAAAAAAAAAAAA! – Gritei, e uma nova explosão de luz aconteceu. A dor tinha parado, eu conseguia ver onde Jack estava. Nadei para me aproximar dele. Quando consegui alcançar seu braço, o puxei no sentido contrário da velha cabana, tínhamos que nos afastar de tudo aquilo.
Quando chegamos à margem contrária do lago, puxei Jack pelo o braço e o pós nas minhas costas, ele era pesado, bastante pesado, mas eu precisava sair dali com ele. Aquele lado da floresta era calma, escura, não dava para ver em que estava pisando, eu sabia naquele momento só que estávamos nos afastando do lago, e isso que importava.
Eu o carreguei correndo por mais de 30 minutos dentro da mata. Depois desse período ele começava a ficar consciente, então eu o botei de pé, mas mesmo assim eu o segurava.
Depois que corremos incansavelmente por quase duas horas, encontramos um possível lugar seguro. Era uma árvore que possuía uma pequena caverna nas raízes, possivelmente a própria natureza tenha feito aquilo e o coberto por fungos. Nós sentamos ali e esperamos... esperamos... esperamos sem dar uma palavra, estávamos assustados e sem saber o que falar. Perdemos a noção do tempo, ao menos eu a perdi. Não sabíamos a quanto tempo estávamos ali, possivelmente não era muito, se não o Jimmy já estaria me procurando. Talvez ele tivesse e eu não sabia.
- Acha que é seguro nós voltarmos para casa? – Perguntou Jack a mim. Ele estava ainda ofegante. Mesmo nos conhecendo tão pouco, eu confiava nele, como um velho amigo, e ele não me abandonou.
- É melhor não. Vamos ficar aqui mais um pouco. – Falei para ele, tentando de alguma forma(não sei qual) tranqüilizá-lo.
- Quem são eles? – Perguntou Jack.
Eu e Jack passamos um tempo conversando sobre isso, e aos poucos fomos mudando de assunto.
- Então você namora uma garota de Dawson, não é? – Perguntei.
- Não... Quer dizer, eu saio com umas amigas de colégio, mas não namoro. – Ele falou descontraído.
- Então você não namora uma menina de Dawson chamada Joanna? – Perguntei.
- Não! – Falou ele rindo. – Eu não namoro... quer dizer, não namoro longe dos meus pais e dos dela. – Ele deu uma risada. – Nós somos só amigos, velhos e bons amigos sabe? Nossos pais queriam que nós namorássemos, trato de família, coisa de cidadezinha pequena quase uma vila. Nós fingimos namorar só na frente deles. Já faz três anos que namoramos, qualquer dia vou pedir ela em casamento. – Ele riu alto.
- Então ela é solteira, não é? – Perguntei.
- Claro... – Falou ele rindo e olhando desconfiado para mim. – Você ta querendo ficar com ela? – Perguntou ele rindo ainda mais.
- É... Ela é bonita... Eu não falei com ela... mas...
- Nossa! Não falou? Espera... – ele se levantou e depois me puxou. – Vou te apresentar ela.
Ele entrou na casa. E Depois saiu na porta da frente.
- Entra no seu carro, vou pegar o meu. – Ele correu mais para frente e levantou um grande galho que revelou seu carro prateado.
- Bom esconderijo. - Falei dentro do meu carro o ligando.
- Vamos, saia na frente. – Falou ele.
Meu carro parou.
- Meu carro parou! – Gritei. Jack pareceu tentar ligar seu carro, sem sucesso.
- Ele estava funcionando normal! – Gritou Jack a mim. Foi quando algo nos surpreendeu, a porta da frente abriu e fechou novamente.
- Tem alguém ali! – gritou Jack. – Foi bem o safado que Fez algo no nosso carro.
Ele desceu do carro segurando uma chave de fenda. E passou por mim, e eu desci rapidamente para acompanhá-lo. Aquela situação me incomodava, podia ser até medo, eu podia estar com medo, mas aquilo me assustava, era uma sensação de medo que eu já conhecia, não sei como.
Ele abriu a porta e uma luz forte vinha da porta de trás, vinha do lago. Eu puxei Jack para trás e fui na frente, olhei pela a brecha da porta. Era uma luz azul muito claro (era tão forte, que embaçou toda a minha vista), ela parecia ser uniforme no centro do lago, e sombras o rodeavam. Agora eu sabia o porquê do meu medo, as sombras era quem queria me matar pouco tempo atrás. Nós tínhamos que ir embora dali.
- Jack, Não faça barulho, vamos embora, vamos deixar o carro aí. – Cochichei para Jack. Nós não teríamos a mesma sorte que tive mais de um mês atrás em um homem mascarado me salvar.
- O que está havendo Robbie? – Falou Jack amedrontado.
- Vamos sair daqui. Falei andando apressado, mas cauteloso, e puxando o agora pálido Jack. Eu não podia negar aquilo me assustava mais do que tudo.
Abrimos a porta, mas já era tarde demais, a porta dos fundos se abriu, revelando uma pessoa.
- Ora o que vejo aqui? Robert Russel! – Falou a mesma mulher a quem tentou me matar. Eu virei para ele e tentei passar uma cara corajosa e segura.
- O que você quer comigo? – Mesmo tentando passar uma aparência de coragem, minha voz saiu tremula.
- Bom, você reduziu nosso trabalho, obrigado. Vocês nos poupou de te caçar. – Falou a mulher rindo. Enquanto isso pousava duas sombras atrás de nós, eu e Jack corremos mais para o centro do chalé. – Nós só queremos terminar o que começamos. E sem interrupções. E vejo que trouxe amigo.
- NOS DEIXE EM PAZ! – Gritei.
- CALADO! – Gritou o mesmo homem que gritou comigo no acampamento dos assassinos. Jack olhava para o lado e mordia o lábio.
- Bom, vamos logo terminar com isso... – Falou a mulher se aproximando de nós. Os outros riam felizes. Jack segurou firme no meu pulso e com um puxarranco gritou:
- A PAREDE ROBBIE! – Então ele me puxou em direção a parede, eu já entendia o que ele queria. A parede daquela cabana era de madeira velha, sendo assim fraca. Nós dois na corrida a chutamos e caímos para o outro lado. Logo ficamos de pé e saímos correndo por dentro da floresta. Nós os ouvíamos saírem da casa as pressas.
- CORRE ROBBIE! – Gritava Jack.
- É ISSO QUE ESTOU FAZENDO! – Gritei. Eu sentia que eles se aproximavam. Foi quando vi uma sombra entrar na frente de Jack e fazê-lo cair.
- JACK! – Gritei. Outra sombra me fez cair. Eu sai engatinhando, tentando me afastar, virei uma vez para ver se estava realmente me afastando.
- Adeus Russel! – falou a mulher, que repentina ficara pálida, suas presas suja e pontudas e unhas longas que avançavam para o meu peito.
- Se quiser já pode ir dirigindo seu carro. – Ele me olhou, tentando adivinhar o que eu realmente queria. – Se quiser pode ir para casa mais tarde. - Ele adivinhou o que eu queria.
- Você deixa? – Perguntei.
- Claro. Você é um rapaz, tem que ter um pouco de liberdade. – Era o que eu mais queria agora. – Ok então, te espero para o jantar, se não chegar até o jantar, eu ficarei louco naquela cidadezinha, e pode ter certeza, isso não é bom. – Então riu.
- Ok, eu chego antes do jantar, mas... – Ele me olhou confuso, e eu o olhei risonho. – Que horas é o jantar? – Ele soltou uma frouxa risada.
- Sete horas, garoto da cidade. – Jimmy jogou a chave do meu novo carro para mim e eu apanhei. Ele entrou no carro, saiu do estacionamento da loja e foi embora.
Peguei o carro e comecei a dirigir pela a cidade lentamente, tentando ver tudo que podia. A cada momento eu seguia mais em frente. Chegou um ponto em que se dava para ver uma faixa de estrada sem casa, era o fim da cidade. Devia voltar, mas algo mais forte que eu me atraiu para seguir em frente. Então prossegui. A estrada estava lisa (coberta de gelo), as margens haviam árvores também cobertas de gelo, era tudo tão... Branco ali.
A estrada prosseguia em uma linha reta, porém em um relance de olhar para o lado, notei que existia uma porteira coberta de gelo, que dificilmente seria notada. Dei ré. Parei o carro logo em frente. Não ultrapassei a porteira, mas olhei para ver se havia alguém. Pude notar que ao longe existia uma casa, um pouco acabada, toda e madeira. A casa parecia estar abandonada. Então impôs toda minha força para que a porteira abrisse, então ela deslizou no gelo.
Entrei no carro e o liguei, segue reto de porteira adentro. A estrada até a casa era mais longa do que eu pensei. Por que não havia traçado uma linha reta, seria mais rápido. Além de longo, o caminho era fino, tinha que andar com cuidado para que nenhum galho de árvore arranhasse o meu novo carro. Enfim cheguei à frente da casa. Liguei os faróis do carro para que iluminassem melhor a casa. Desci.
- Tem alguém? – Não esperava que realmente me respondessem, lá não era um lugar que alguém morasse. Abri a porta da casa. A casa era velha, bem velha. Parecia com a casa do Ernest, só que bem menos conservada.
A casa era pequena, logo eu cheguei a porta dos fundos, que estava entreaberta. Eu a empurrei mais, para que eu pudesse passar, e me deslumbrei com a visão. Era um lago grande, com árvores ao seu redor, e na minha frente, uma margem, sem árvore, e sim com uma pequena passagem. O que mais me surpreendeu, era aquele lago está totalmente descongelado, e outra coisa. Havia uma pessoa sentada à beira do lago, balançava as pernas dentro d’água.
- Oi? – Falei. O rapaz se virou. Ele era loiro, a pele era limpa e rosada. Era natural todos serem totalmente brancos, o sol que existia servia só para nada, nada realmente. Ele estava só de camisa.
- Oi. – Falou ele. – Parece que alguém descobriu meu lugar secreto. – Ele riu.
- Desculpe... Eu não sabia que aqui tinha alguém. – Falei.
- Não é meu Lugar. Eu gosto de ficar aqui... existe algo diferente aqui... – Ele falou, olhando para o lago.
- Talvez seja pelo o fato dele não estar congelado? – Perguntei risonho e me aproximando.
- É, talvez isso também, a temperatura da água também é bem diferente para aqui... – Ele riu. – Mas não é isso, é algo que me atrai. Prazer, sou o Jackson, pode me chamar de Jack.
- Prazer, Robert Russel, me chame só de Robbie. – Ele olhou para mim.
- Russel?
- É, sou sobrinho do Jimmy Russel, conhece? – Perguntei.
- É, conheço, ele está na justiça com meu pai pela a luta de um espaço de Dawson. Um grande espaço. – Falou ele, parecendo não gostar da luta entre o meu Tio e seu pai. – Eu nunca te vi aqui.
- Se visse, pode ter certeza que seria muito estranho. – Falei, e ele deu uma risada. – Sou novo aqui, tive que vim para cá, incidentes, sabe?
- É, sei... – Falou ele. Eu me sentei e passei a ponta dos dedos na superfície do lago. A água era morna.
- Seu pai é o Beggiefield? – Perguntei não me lembrando direito do nome.
- É Baggiefield... – Falou ele, depois riu.
- A água está morna... – Falei, sempre estranhando aquele sobrenatural.
- É. Eu venho aqui faz uns dois anos, e sempre é dessa temperatura. Já pulei, a água sempre é quente. – Falou ele. – Mas se você pular daqui. Eu juro, se você pular do outro lado, você pode sofrer muito de dor nos ossos. Eu já trouxe a lancha do meu pai, entrei pelo o outro lado. A água era realmente muito gelada, geladamente cortante. Mas quando fui daqui para até o outro lado à nado, não senti frio, a água era sempre morna. Estranho, não é?
- Claro, um lago deve ter sua única temperatura. – Falei.
- Tem gente na cidade que tem explicações para isso, essas terras são dela. – Falou ele.
- Quem é ele? – Perguntei curioso. Agora que ele tocou no assunto, queria ir afundo.
- Jimmy Russel Claterfield. – Falou ele olhando para mim.
- Tudo bem Robbie, natural, essa é sua nova casa. – Falou Jimmy sorrindo para mim. Suas palavras me soaram em algum momento agradáveis, era bom saber que mesmo sem meus pais, eu tinha alguém que preocupava com meu bem estar. O mais difícil disso tudo, tudo que era novo agora para mim, era novo sem os meus pais, isso não mudaria. – Bom, depois podemos conhecer melhor a casa, mas antes não prefere ir à cidade vizinha comprar roupas, objetos?
- Claro. – O respondi. Nós descemos as escadas e entramos no carro. Jimmy dirigiu por 2 horas até chegarmos a essa tal cidade, um pouco maior que Dawson. Fomos em algumas lojas (Que prefiro não detalhar muito), compramos roupas, algumas coisas que eu gosto. Paramos para um breve café antes de voltar para Dawson.
- É, Austinville é bem maior que Dawson, não acha? – Perguntou Jimmy, bebendo sua ultima golada de café.
- Vai depender, uma cidade não é só sua cidade em si, e sim o campo em que ela possui. – Falei também bebendo meu ultimo gole. – Aqui tem lojas grandes...
- É... – Falou Jimmy. – Lá em Dawson a maior loja que vamos encontrar é a Loja da Sra.Truting, e pode ter certeza, um antiquado de Dawson nem se compara a uma loja do Shopping daqui. – Ele riu. – Vamos?
- Claro. – falei rindo. – Você na volta vai ter que me contar mais sobre a grande população de Dawson.
- Com certeza, se for de toda a população da velha Dawson, na viagem de volta eu te contarei tudo. – Então entramos no carro.
Estávamos voltando pelo o mesmo caminho em que entramos naquela cidade quando Jimmy parou o carro surpreendentemente em frente a uma Loja de carros.
- O que acha? – Perguntou Jimmy a mim. – Você vai precisar de um carro, suponho.
- Ótimo! – Eu estava realmente feliz. – Eu pensava em comprar.
Nós descemos do carro do Jimmy e entramos na loja. Havia alguns que me interessaram, mas existia um em destaque. Era um Corolla 2008 preto. Um carro igual ao do Troy.
- Jimmy... Eu gostaria desse. – Então apontei para o carro.
- Claro. Eu compro pra você, espere só um momento. – Enquanto ele ia tratar da compra do carro, decidi ir lá fora, ver como andava o movimento.
Estava frio (Não era novidade), mas havia muita gente na rua, alguns carros passavam. Coloquei as mãos no bolso para tentar esquentar mais. Olhei para o lado. Foi uma surpresa. Quando virei a face vi uma garota que mesmo empacotada de roupas de frio era linda. Suas bochechas eram rosadas, os cabelos eram cor de mel e lisos (usava franja), tinha um lindo sorriso. Ela andava com mais duas amigas que também riam não sei do que. Eu fiquei a olhando por um tempo.
- Robbie? – Alguém falava comigo ao longe. – Robbie? Robert? – Então me toquei que Jimmy estava ao meu lado.
- Ah! Você falou? – Perguntei.
- Nem tente a namorar. – Falou Jimmy, parecendo ler meus pensamentos. – Os senhores Wallace nunca iriam o deixar namorar com a filhinha deles Joanna. – Ele mostrou na face um pouco do desafeto em cada nome que citava. – Eles acham que o único garoto bom demais para a filha é Jack Baggiefield, um garoto muito arrogante de Dawson. – Falou Jimmy.
- Ela mora em Dawson? – Perguntei me animando.
- Sim Robbie... – Falou Jimmy. – Mas como lhe disse... – Ele se aproximou mais de mim. – Ela só é garota para um garoto, o estúpido e bobalhão do Jack Baggiefield.
- Ah... Nós poderíamos ser só amigos, não é? – Falei um pouco risonho.
- Claro... – Falou ele duvidoso, parecendo (Novamente) ler meus pensamentos.
- Gostei da casa. – Falei.
- Ela é morável. – Falou Jimmy a mim. – Está tarde, digo... Cedo. – Ele riu. – Você quer dormir? Vou te apresentar a casa.
Ela era realmente muito grande, me apresentou todos os andares e alguns cômodos, inclusive meu quarto, que era espaçoso, tinha uma aparência mais jovem, tinha um banheiro grande. Eu estava gostando. Ele me perguntou se queria comer algo, preferi não, preferi ir dormir, já era quase três da manhã.
Dormi.
Quando acordei eu estava deitado em uma cama confortável (o que há muito tempo eu não fazia). Olhei para a janela e vi uma árvore bem verde e coberta de gelo, algo que não vi na noite. Era tudo tão tranqüilo ali. Tranqüilo e frio, eu estava muito bem enrolado sobre a cama. Olhei para o outro lado e vi o relógio, era oito da manhã, decidir me levantar.
Desci as escadas e quando cheguei a cozinha, havia um bilhete que dizia: “Fui a cidade, volto às oito e meia.”. Já era oito e cinco da manhã, então fui conhecer melhor a casa agora iluminada.
Subi as escadas, estava no segundo andar. Havia um corredor com seis portas e no final uma nova escada. Andei e fui abrindo porta por porta. Nelas haviam quartos, armários, então decidi subir a outra escada. Em cada degrau que eu pisava, era uma rangedeira na madeira. No final da escada, havia um novo corredor e três portas.
Eu girei a maçaneta de uma das portas e ela abriu. O quarto mais parecia um arquivo de escritório, cheio de papeis espalhados. Dei uma olhada e uma meia volta e fechei a porta.
A segunda porta também abriu. Era um quarto com um berço e uma cadeira de criança. Aquele local estava empoeirado, por isso não entrei. Fechei a porta.
Me movi e estava em frente a terceira porta deste andar. Toquei na maçaneta e a girei, mas diferente das outras duas portas, esta nem se moveu. Tentei novamente, sem sucesso. Tentei de novo com mais força, mas a porta continuou fechada. Tentei girando a maçaneta e empurrando a porta para trás.
- Robbie?!? – Falou Jimmy no pé da escada, para a minha surpresa.
Quando avistei a cidade, decidi falar algo.
- Nós saímos da sua casa que horas? – Perguntei, mas continuei olhando pra frente.
- Era uma da manhã... – Ele tirou uma mão do volante (o carro pareceu continuar normal) e viu que horas eram naquele momento. – Já é 01h35min, a casa do Jimmy Russel é depois da cidade, umas 15 minutos pra duas da manhã devemos estar lá.
Passou-se o tempo, e chegamos lá. Era uma casa grande, 3 andares, toda de madeira, tinha uma aparência de antiga. Eu desci do carro e fiquei olhando para casa. Podia ser que fosse bom morar lá.
Um senhor de aparência juvenil saiu da porta, ele descia as escadas rápido.
- O que está fazendo com o meu sobrinho Crosswoar? – Perguntou o senhor, um pouco irritado.
- Eu estava cuidando dele, Claterfield! – Falou Ernest, com uma voz áspera. Eu me meti no meio.
- Olá. Sou Robert, Robert Claterfield. Você deve ser o Jimmy, não é? – Perguntei. - O avião que eu vinha sofreu um grave acidente, ele bateu em umas montanhas que esqueci o nome... Ele caiu, eu fui o único sobrevivente, tive sorte do Ernest me encontrar.
- Foi nas montanhas HorseHouse. – Falou Ernest, encarando Jimmy. – Lugar que você sabe muito bem como é, em mínimos detalhes.
- Vá embora! Não volta mais aqui e nem encoste mais no meu sobrinho! – Falou Jimmy se alterando.
- Agora está protetor com ele não é? – Falou Ernest, parecendo calmo. – eu sei muito bem o motivo. – Foi quando o meu tio se aproximou rapidamente de Ernest e lhe deu um soco. Eu soltei um rápido: ô!
- SAE! – Gritei. – Vai pra casa Ernest, por favor. – Então o olhei com um olhar quase tão pidão quanto de um animal doméstico faminto.
- Ok, Robbie. Nos vemos depois. – Falou Ernest olhando para Jimmy. Então entrou no carro, e virou mais uma vez para Jimmy e o encarou e disse: - Quer ele queira ou não.
- Claro. – Falei me virando para Jimmy. – Me desculpe, eu... Não sabia que existia essa rija entre vocês dois.
- Tudo bem, Robbie. – Falou Jimmy, me mostrando um singelo sorriso. Sua face parecia bem juvenil, eu arriscaria dizer: Ele só tinha 27 anos no máximo. Ele olhou para os lados. – Você não tem malas?
- Como eu disse. O avião caiu. Só o que restou do avião fui eu, acho. – Falei a ele. – Eu vou precisar ir comprar roupas pra mim...
- Claro, amanhã mesmo nós vamos. – Falou ele sorrindo mais uma vez. Ele parecia ser legal. – Amanhã vamos tirar o dia para o que quiser fazer. Mas vamos entrar, está frio aqui fora, eu vou te preparar algo quente. – Falou ele virando de costa e começando a subir a escada larga e me chamou, então corri e o acompanhei. HouseHorse
- Quem é você? – Perguntei mais uma vez a ele.
- EU JÁ LHE DISSE! – Ele gritou comigo.
- Disse? – Falei surpreso, não havia ouvido nenhum nome.
- DISSE QUE NÃO LHE INTERESSA! – Gritou ele.
- Ô parceiro. Calma, você é muito nervoso. – Ele olhou para mim e deu um sorriso irônico.
- Você acha que eu não tenho motivos para ser sempre tão nervoso? – Foi quando ele cravou as unhas na cara – Eu estava chocado agora – e começou a tirar a própria face, e depois tirou a pele dos braços.
- O que é você? – Falei, fechando os olhos, e com muito nojo. Eu não sentia nojo de rato, nem de barata, eu sentia nojo daquilo agora.
- Olhou bem pra mim? – Então ele pegou a espada. – Agora volte a dormir. – E acertou em minha cabeça.
***
Levantei minha cabeça. Eu estava deitado numa cama confortável. Parecia estar de noite. O local que eu estava era iluminado por algumas luzes fracas. Parecia ser uma daquelas cabanas de caçador.
- Onde estou? – Falei.
- Você está na minha cabana. – Falou um senhor gordo e baixo que se levantou (Com dificuldade) da cadeira que estava sentado. – te encontrei a 5 Km daqui, deitado no meio da floresta. Notei que não era daqui, então decidi te trazer para cá. – Então ele se aproximou de mim e estendeu a mão. – Prazer, meu nome é Ernest, Ernest Russel. – Eu apartei a mão gorda dele, e depois que me toquei do nome que ele havia falado.
- Russel? Seu sobrenome é Russel? – Perguntei, perplexo.
- Sim, Russel, de Dawson City, você conhece? – Perguntou o senhor.
- Errr... Conheço, era para onde eu estava indo. Meu nome é Robert. Eu sou sobrinho de um Russel, eu não o conheço. Eu vou morar com ele, único familiar meu vivo agora. – Falei.
- Eu sei quem é você... Eu irei lhe levar para a cidade. Eu só estava esperando você acordar. – Falou ele. – Cadê suas coisas?
- Eu vinha em um avião, eu e meu advogado amigo. Ele caiu. Bateu nas montanhas... Esqueci o nome das montanhas. – Eu realmente não me lembrava.
- HorseHouse? Montanhas de HorseHouse? – Falou ele.
- É! HorseHouse! - Falei.
- Então quer dizer que só restou você? – Falou ele.
- É, meu amigo, ficou lá... – Falei, abaixando minha cabeça. Eu tinha que controlar o meu emocional. Já fazia dois meses e um dia que isso tinha acontecido. Ok, não passei esse tempo todo consciente, porém, já fazia esse tempo.
- Sinto muito pelo o seu amigo. – Falou ele.
- Sem problemas. – Falei tentando sorrir para ele.
- Então, sem malas, suponho?
- Sem malas. Eu acho que vou ter que comprar roupas para mim quando chegar a Dawson... – Falei mais para mim, do que para o senhor. Ele soltou uma risada.
- Você não vai achar roupas que goste lá, disso tenho certeza. – Falou o senhor.
- Ah, no shopping deve ter algo que me agrade... – falei.
- Shopping? – Ele riu novamente. – Você é engraçado garoto. Vamos.
Eu não o entendia. tudo que falei me pareceu soar normal. Eu o segui até a uma caminhonete vermelha.
- É quanto tempo daqui para Dawson? – Perguntei, quando ele ligou a caminhonete, e começou um barulho.
- PODE REPETIR? – Gritou ele.
- QUANDO TEMPO É DAQUI PARA DAWSON? – Então o barulho parou.
- 30 minutos de carro. – Falou ele.
- Ah... Então você conhece o Jimmy? – Perguntei.
- Sim. – Foi a única coisa que falamos, da casa do simpático Ernest Russel para Dawson.
- COMO ASSIM? DOIS MESES? – Gritei.
- NÃO GRITE COM ELA! – Gritou o senhor pelo o qual já havia gritado.
- Calma Xavier. Ele só está um pouco assustado. – Falou ela, indo para próximo de mim. – Agora todos saiam, por favor. – E pelo o que me pareceu, a simpática senhora possuía moral sobre todos, todos haviam saído. – Muito bem querido. Seu avião sofreu uma grande queda. Não restou nada dele, e o que estava dentro dele, só você. E se demorasse mais dois dias ali iria morrer, ou ursos, ou frio, ou infecção. Estava cheio de ferimentos. Com esse período que passou junto com a gente, muita das pequenas feridas cicatrizaram, outras não.
- Eu quero voltar lá. O Troy... Ele era meu amigo. – Falei olhando nos olhos dela. Ela ficou calada por um momento.
- Eu digo a você, não existe mais Troy nenhum naquele avião. E s existir, não é o Troy de como você quer. – Falou ela, fazendo uma cara de piedade. – Durma querido.
Eu não ia conseguir dormir, mas já que a pessoa que cuidou de mim por dois longos meses me pedia tanto para dormir, ia ao menos ter a consideração de fingir dormir. Então deitei. E virei para trás.
- Bons sonhos, querido. – Falou ela, e então saiu. Fechei os olhos, mas sabia que não ia dormir, então decidi ficar ouvindo o que eles falavam.
- Ele acordou Milady, o que vamos fazer agora? – Perguntou uma desconhecida voz.
- Esperar um pouco, e depois executar ele. – Falou a senhora, que me assustava agora.
- E depois usar o sangue. Falta pouco, só mais 13 vitimas, e conseguimos. – Então me levantei rapidamente.
Eu precisava sair dali. Eles iam me matar. ME MATAR. Mas eu não podia me agitar. Eles iam notar, e iam me matar agora mesmo. Então procurei algo que rasgasse – Minha idéia era rasgar a cabana por trás e fugir sem que eles me notassem.
Encontrei uma pedra no chão. Então a posicionei para que a parte mais afiada pegasse o pano da cabana. Foi um perfeito rasgo. Vi se existia algo dentro daquela cabana que me pertencesse. Não tinha nada. Então sai pela a porta que havia acabado de criar por trás da cabana. E sai, em passos lentos, até achar que eles não seriam capazes de me ouvir.
Demorei uns 30 minutos para achar que eles não iam me descobrir. Então comecei a correr, não sei para onde, mas eu só corria, sem destino. Só queria ficar longe de todos aqueles psicopatas. Eu corria sem olhar para frente. Foi quando vi que estava errado em correr com os olhos fechados, mas todos sabem não é? Ninguém sabe prevenir, só remediar. Bati a cara em uma árvore e cai. Levantei atordoado. Continuei a corre, mas agora olhando para frente.
Foi quando eu comecei a ver imagens negras pulando de árvores em árvores enquanto corria. Comecei a me desesperar.
Fui obrigado a parar.
A senhora pela a qual me tratou tão bem, mas só para me matar estava parada na minha frente.
- Nossa bebê. Você está sendo ingrato com nós. Salvamos sua vida, não propositalmente, mas salvamos. E agora você nos deixou sem dar um tchau querido? – Eu a olhei horrorizado.
- Foram vocês que derrubaram o avião! Eu vi! A imagem negra que nem agora! Foram vocês! Tentaram me matar! – Gritei.
- Claro! Não queremos matar locais! Iam notar! E eles nem ligam para os estranhos. – Falou ela, enquanto os outros apareciam. – Vamos tornar o processo um pouco mais ligeiro, ok?
Então ela começou a andar a minha frente, e eu indo mais para trás. Foi quando uma florescente luz atingiu a todos nós, e sobre ela, um cara que segurava uma espada incrustada de algo que brilhava. Então ele a empunhou em um dos homens que acompanhava a senhora, e então o homem sumiu.
- RÁPIDO! SUBA! – Gritou o cara, estendendo a mão. Eu aceitei, ele ainda não havia me dito que queria me matar, era mais confiável do que eles.
- QUEM É VOCÊ? – Gritei, agora que nos afastávamos do grupo.
- NÃO LHE INTERESSA! – Gritou o cara. Eu me calei, aquelas suas palavras agiram sobre mim como: Você está careca e feio.
Levantei minha cabeça.
Aquilo tudo podia ser um sonho, não é? Realmente eu não precisasse sair de Dallas, e nem deixar meus amigos. Talvez meus pais nem tenham morrido. Talvez tenha sido tudo fruto da minha imaginação. Talvez tenha sido tudo só um sonho.
- Ele acordou! – E uma pessoa adentrou na cabana, sendo seguida por várias outras pessoas. Eu levantei e fiquei sentado rapidamente. Não conhecia nenhum deles. E eles? Olhavam-me, sem nada falar.
- Quem são vocês? – Perguntei, respirando um pouco mais devagar.
- Quem é você? – Perguntou um senhor que pareceu ignorar o que eu tinha falado. Ele usava um ridículo colete de pesca – aqueles que se encontra numa loja de compra de acessórios de pesca – e um chapéu, que pelo o que pude ver, tinha como enfeite, várias iscas. Ele era pálido, seus olhos eram negros e grandes, possuía uma barba mal feita e seus dentes eram amarelados. Os outros possuíam uma aparência semelhante. – QUEM É VOCÊ?
- Desculpa! Meu nome é... – Falei assustado com o senhor que havia acabado de me gritar. Graças a isso, não conseguia raciocinar direito. – Err... ROBERT! – Terminei como se estivesse surpresa em descobrir o meu próprio nome. – E vocês são...?
- Te encontramos nas montanhas de HorseHouse. Estava muito ferido... – Interferiu uma senhora, de cabelos loiros, a pele pálida como a do arrogante senhor. Era alta, e vestia a mesma ridícula roupa.
- Onde está o Troy? – Falei a ela, me levantando.
- Troy? Ele estava no avião com você? – Falou a senhora. Veio por trás, um rapaz de cabelos claros, pele pálida e olhos de cor azul e cochichou no seu ouvido algo que não pude escutar. – Ah... Bom, só encontramos você no avião, só você vivo.
Fechei os olhos. Todas as minhas pessoas queridas haviam morrido, me deixado, eu estava sozinho no mundo, só com muitos estranhos.
- O seu avião caiu... Trágico. Eu... sinto muito. Você tem que descansar querido. Deite, vamos sair. – Falou ela virando.
- Onde estamos? – Perguntei, antes que a única pessoa que a feição não me incomodou saísse.
- Estamos no condado de Middle Dawson. – Falou ela.
- Dawson? Estamos em Dawson City? – Perguntei, ainda um pouco atordoado.
- Não, estamos a 2 horas a pé de Dawson.
- Era meu destino, antes disso acontecer... – Falei, então pensei em algo que gostaria de saber. – A quanto tempo estou dormindo?
- 2 meses querido.
Quando terminei de carregar tudo, Sr. Jackson ainda falava. Eu sei que deveria me despedir deles, mas nunca fui de falar com eles. Então entrei no carro – que estava cheio de caixas: o banco de acompanhante da frente, os bancos de trás, e o porta-malas – e o liguei e sai.
Do prédio em que eu morava para o aeroporto durou 30mim. Chegando lá, estacionei o carro, eu ultimamente andava dirigindo carros com muita calma, e sem acelerar muito. Parei entre uma BMW vermelha 98, e um corsa atual. O carro do Troy era um Corolla 2008.
Desci do carro.
Fui direto para o checking do aeroporto, onde me esperava Troy.
- Vamos! – Falou ele entrando em uma sala.
- Troy, minhas coisas estão dentro do seu carro! – Falei, enquanto estava sendo arrastado.
- Entregue a chave ao segurança, ele colocará tudo dentro do seu avião. – Então passamos por uma parte escura, e daí veio o claro. A luz de duas horas da tarde. A luz foi ficando mais fraca – Meus olhos pareciam já se acostumar com a claridade – e avistei o avião. Ele era branco, de tamanho razoável. Ele era enorme só para mim e Troy.
Entramos.
15 minutos depois, partimos vôo. O dia estava lindo, visto de cima. Então decidi dormir. Ainda faltavam mais ou menos 5 horas de uma viagem tranqüila – e até tediosa – e eu precisava dormir.
Fechei os olhos.
Passou algum tempo, e então eu os abri. Nós ainda estávamos voando, logicamente. Troy estava lendo mais para trás do avião, foi quando me levantei um pouco e disse: - Estamos perto? – Então ele olhou para mim e sorriu.
- Chegamos em uma hora. – falou ele sorrindo novamente. – Ansioso, não é?
- Um pouco. Quero conhecer um lugar novo... Pode ser bom pra mim agora. – Falei.
- Você vai fazer saudade em Dallas. Você e seus pais... – falou ele, suas últimas palavras pareciam desaparecer enquanto ele falava. – Mas se quiser, pode passar as férias de verão na minha casa, nós podemos ir para o Lago Caddo juntos. Pode ir na primavera também. – Falou ele, com uma cara sonhadora – até fascinante, pareceu que ele gostou da própria idéia – enquanto olhava para o nada.
- É, vou ficar indo para Dallas todo o tempo que der. – Falei.
O avião começou a chacoalhar.
- Não é nada, só uma turbulência. Nós devemos estar entre uma corrente de ar. – Falou Troy se segurando na cadeira.
O chacoalhar do avião não parava. Foi quando me deu uma incrível e instantânea surdez.
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO? – Gritou Troy abrindo a porta do piloto.
- ESTAMOS PERDENDO ALTITUDE. SE SEGUREM! – Gritou o Co-piloto. Sua voz estava com falhas, o que me indicava que ele estava colocando bastante força para controlar o avião.
Troy correu para o meu lado.
- Vai passar! Não se preocupe! – Falou ele sentando ao meu lado, e se segurando firme na poltrona, e forçando a cabeça para trás. Ele estava pálido.
- Troy... O que está acontecendo? – Falei, eu estava nervoso.
- Nada, os pilotos são bons, daqui a pouco controla. – Quando ele terminou de falar, houve uma explosão. Ele olhou para a porta da cabine do piloto. Nós escutamos o piloto gritar com o co-piloto: “A TURBINA DIREITA EXPLODIU! EXPLODIU!”.
Eu fechei os olhos com força.
- Vai passar Robbie! – Gritava Troy para mim. – Vai passar!
- Eu sei que vai! – E gritava, tentando também acalmá-lo.
- Vai passar Robbie! – Gritou ele mais uma vez, então abri os olhos um pouco, e vii que ele estava de olhos super fechados. Ele segurava com força o braço da poltrona.
- NÃO VAI DAR! VAMOS CAIR! – Gritou o Co-piloto.
- Vamos sair bem Robbie! – Gritou Troy, com os olhos fechados. Algo que me tocou, ele soltou o braço da poltrona, e pousou a sua mão sobre a minha, e então a segurou com força.
- Vai passar! – Falou baixinho Troy. Foi quando houve um barulho estrondoso na frente do avião. Olhei para trás, estava tudo se contorcendo e uma imensa escuridão se apossava do avião (Foi o que mais me assustou no momento). Parecia que estávamos batendo e sendo jogados para outras montanhas. Foi quando houve um imenso barulho – O avião começara a rolar sobre uma montanha, e nesse movimento, perdeu as asas e começava a perder o casco do avião-. Eu e Troy não conseguíamos mais ficar sentados, e começamos a rolar de um lado para outro no avião, porém, ele nunca soltara ou afrouxara minha mão.
Em um de nossos giros, fui direto contra um braço de uma das poltronas e bati a cabeça.
- Troy! Porquê fez aquilo? – Perguntei chegando à cozinha, ainda sem camisa.
- Eu só estou cuidando de você como seus pais cuidariam Robbie. – Falou ele, olhando para mim.
- Claro! Mas parece que meu pai entrou em você! De uma hora pra outra vira um homem careta e sem sentimentos por um amigo. – Falei, mostrando toda minha indignação.
- Robbie, não faça uma tempestade dentro de um copo d’água. Você já é grandinho demais para saber que existem garotas que fazem isso só pelo o dinheiro, pelo o qual você tem muito. – Falou ele, sempre em um tom calmo.
- A Alice não é assim! – Protestei.
- Como tem tanta certeza, entrou na mente dela? – Falou Troy levantando-se e me encarando. – Você não a conhece perfeitamente! Ninguém a conhece! Se limite rapaz! Haverá outras garotas que queiram fazer com você. – Então, se deu por encerrada a conversa quando ele saiu da cozinha dizendo:
- Nós não vamos mais com uma companhia aérea. O Jatinho do seu pai foi liberado, nós podemos até pousar em Dawson se tiver local. – Então um barulho de porta batendo aconteceu, e desconfiei que Troy tenha saído. Então fui ajeitar uma ultima caixa.
Conhecendo Troy, ele com certeza ia querer sair o mais depressa possível, ou seja, com certeza ia me apresar para sairmos daqui a 2 horas.
E foi assim que aconteceu, a pouco mais de 2 horas, Troy me ligou, pedindo para que eu pegasse o seu carro na garagem do prédio e fosse até o aeroporto, com todas as caixas dentro.
Foi trabalhoso. Carreguei caixa por caixa, até a porta do elevador. Quando coloquei as 10 caixas divididas em 2 colunas, cada coluna com 5 caixas, fui pegar minhas duas malas. Eram grandes. Eu teria que traçar um plano rápido para quando o elevador parasse no térreo. Elevadores não costumam esperar muito, são totalmente sem paciência – e eu insano por dizer isso -. Carreguei minhas duas malas a frente do elevador, e então apertei o botão para que ele subisse. Esperei. Esperei e nada. Apertei mais uma vez, e nada do elevador subir e parar com sua porta aberta, me esperando entrar.
Apertei de novo.
Foi quando um vizinho me disse:
- Está tentando descer no elevador? – Perguntou o cara, pelo o qual nunca falei.
- É, eu queria. Mas ele não chega. – Falei.
- É por quê ele está com defeito. Mas já devem consertar, questão de 1 hora. – Falou o vizinho.
- 1 hora?! – Falei assustado.
- Ou então pode descer de escada. – Falou ele, entrando em uma porta.
- Ótimo, como vou descer com 10 caixas e 2 malas 15 andares de escada? – Perguntei a mim mesmo. Fui quando tive a estúpida idéia. Iria jogar tudo, para que descessem tudo bolando.
Empurrei uma coluna de caixa por vez até o beiral da escada, e depois trouxe as malas.
Me afastei um pouco. Foi quando, tomei fôlego, e chutei a base de uma coluna de caixas para a frente, fazendo com que todas as caixas descessem “bolando” pela a escada. Batiam na parede, amassavam. E continuava a descer. Então repeti o ato com a outra coluna, e depois empurrei as duas malas.
É, minha mão estava livre, sem peso. Essa podia ser uma boa idéia. Uma boa idéia até quando cheguei ao térreo, onde o Síndico me esperava, batendo o pezinho dele.
- Por quê você fez isso? – Perguntou o Síndico a mim.
- Porquê o elevador estava quebrado. Então tive que descer pelas escadas, e não tinha como eu descer com isso tudo na mão, então joguei. – Falei, pegando uma caixa.
- Você algum dia ouviu falar em Elevador de carga? – Perguntou ele a mim, me tratando feito um retardado.
- Ok, da próxima vez eu me informo onde fica esse elevador e desço por ele. Sem problemas, tudo resolvido. Não aconteceu nada. – Falei.
- Não aconteceu nada? – Perguntou o Síndico rabugento do Sr. Jackson. – Você acertou Dona Carmelia com as caixas, por sorte ela estava ainda no terceiro degrau, imagine se ela já estivesse no 7º andar. O tamanho da desgraça que você, mais uma vez traria?! – Falou ele, apontando para Dona Carmelia, que estava sentada com uma bolsa de gelo presa no joelho.
Você deve se perguntar o porquê o Síndico dizer: “O tamanho da desgraça que você, mais uma vez traria”. Esse senhor é rancoroso, só houve um problema – ao menos só um problema sério – que eu me envolvesse naquele prédio, da vez que a vitima foi ele.
Eu jogava bola na recepção, não me responsabilizava em acertar algo, foi quando o Sr. Jackson entrou pela a porta, e de recepção mesmo, recebeu uma bolada na cara, que quebrou o óculos, e com o pedaço quebrado do óculos, vem cortes no seu rosto.
Eu me levantei e fui direto a cozinha, abri a geladeira e peguei uma barra de cereais, para a minha manhã aquilo bastava. Eu ia pegar um vôo, de não sei quantas horas. Talvez eu e Troy tivéssemos que ir de carro até essa tal cidade. Eu estava muito ansioso. Será que Dawson tem muita gente? Cidade grande? Dawson... Dawson... Já ouvi esse nome em algum lugar, só não me recordo onde. Talvez tenha visto em algum canal de compra e venda, talvez lá tenha uma loja famosa – isso significa ser uma cidade grande, que maravilha -, isso tudo seria tão demais, agora olhando pelo um novo ângulo.
Se lá tinha uma loja famosa, havia escolas de grandes portes, e nessas escolas sempre haveria um grupo de populares, eu tinha que me preparar para entrar nesse grupo. O frio às vezes é agradável. Soar é bom, ficar quentinho também, mas podia ser que meu tio possuísse uma luxuosa casa, e nela uma maravilhosa sala com fogo acesso sempre, para me esquentar.
A única desvantagem seria eu não poder me mostrar para as meninas da cidade, o tanto que malhei, mas um dia eu teria a oportunidade. Ah, assim que chegasse lá eu iria atrás de uma loja de carros com o Troy, comprar meu carro lá. Tudo parecia ser perfeito. Fazer novos amigos... E a campainha toca. Quando atendo, tenho uma surpresa, uma amiga da minha antiga escola. O nome dela era Alice.
- Oi Robbie... – Falou ela, com uma mão no bolso traseiro de sua calça jeans apertada (e que ela ficava muito sexy vestida daquele jeito). Ela tinha cabelos loiros, uma estatura mediana, os olhos eram escuros.
- Oi Alice... Você já ficou sabendo né? – Perguntei a ela, a convidando para entrar.
- Quem não ficou? Você é de uma das famílias mais ricas daqui Robbie, noticias sobre você saem rapidinho na coluna social do jornal daqui. Mas... Você tem mesmo que morar com esse seu tio? Digo, tem que mesmo que ir pra tão longe?
- Tenho, eu já falei com o Troy... Mas ele disse que essa era a decisão final do Juiz. – Ficamos nos olhando por um tempo, quando ela decidiu quebrar o gelo.
- Então eu acho que vou indo. Né? – Falou ela coçando a cabeça.
- Hum. – Falei eu, meio acuado. Ela virou de costas a mim e saiu andando.
- Tchau Robbie. – Falou ela de costas.
- Tchau... Alice. – Falei enquanto a via ir para longe de mim.
Foi quando me surpreendi, ela virou rapidamente, e veio com a mesma agilidade para os meus braços, me dando um beijo. Com toda a excitação, lhe levantei pelo os braços.
Quando paramos – Pareceu demorar anos aquele beijo, bons anos – ela me abraçou e então me empurrou para dentro de casa, fechando a porta com o pé. Logo depois me jogou no sofá – Eu estava sem reação – e se jogou em cima de mim, me beijando novamente, porém mais feroz. Enquanto ela levantava minha camisa, eu desabotoava sua blusa, e invertia a posição, eu ficando sobre ela.
Foi quando, mais uma vez eu me surpreendi, e não só eu, como Alice. Troy estava em pé na nossa frente, e soltou um singelo “uou” e foi para a cozinha. Alice olhou para mim, e me empurrou para o lado, vestindo sua blusa e se levantando.
- Porquê você não disse que ele estava aí? – Falou ela abrindo a porta, enquanto eu me levantava.
- Você não deixou! – Falei eu, assustado.
- Tanto faz... – ela estava no corredor do meu prédio, e eu na porta, só de short, quando ela voltou e me beijou e continuou a falar. – Vê se manda noticia Robbie. Até a próxima vez. Tchau. – Então virou de costa e entrou no elevador, que desceu.
Naquele momento eu estava com muita raiva do Troy. Essa podia ser a ultima vez que eu visse a Alice, e a ultima de muitas relações que já tive com ela, e Troy estragara tudo.
- Canadá? – Questionei. – Por que Canadá? Porque não no México ou quem sabe no Brasil?
- Seu tio mora no México, Brasil? – Perguntou o Juiz olhando para mim com olhos fervorosos. – Não? – Então balancei a cabeça negativamente. – Então você irá morar onde seu único membro familiar mais próximo morar. Fim de julgamento. – Terminou o Juiz, que agora ganhara meu ódio, que se levantou e se dirigiu a uma porta aos fundos.
Seria uma mudança drástica, Dos Estados Unidos da América, para uma província no meio do nada chamado Canadá, que era sempre coberto por uma grossa camada de gelo, sempre tendo que usar roupas pesadas, diferente de Dallas, que usaria minhas camisas regatas, e as tardes soaria um pouco sentado a praça conversando com os amigos do bairro. Mas isso eu poderia superar. O que mais me deixava apreensivo, era esse meu tio, pelo o qual nunca havia ouvido falar, meus pais nunca haviam feito comentários sobre ele. O que poderia o impedir de me maltratar? Estaremos em breve no meio do nada, e do gelo. Ele poderá me matar, e me enterrar debaixo de sete palmos de terra, e de 10 de gelo e assim nunca ninguém ia descobrir o que ele tinha feito comigo.
- E se ele me obrigasse a roubar? Participar de algum ato criminoso? – Pensei alto, e tão alto, que meu advogado olhou para mim e disse:
- Não deslumbre Robbie, ele deve ser um cara legal!
- Troy, ninguém conhece ele, acho que nem meus pais o conheciam. – Falei olhando para Troy, um dos poucos que meus pais confiariam a minha vida. – Não acha melhor eu ficar com você?
- Eu tentei convencer o juiz de você ficar comigo, eu juro. Mas ele é inflexível, e acha melhor você ficar com um familiar. – Me disse Troy, olhando para meus olhos, em pedido para eu não mais o questionar.
- Você é mais familiar a mim do que esse meu tio que eu nunca vi. – Falei, lhe olhando penosamente.
- Essa foi a decisão do Juiz, Robbie. – Falou Troy se virando e indo em frente. – Vamos, temos que arrumar tudo, Vamos pegar um vôo amanhã. – Então eu corri para lhe acompanhar.
- Juiz burro! – Resmunguei.
- Não fale isso! Ele é uma pessoa que segue a justiça. – Reclamou Troy.
- Bela justiça, me separar dos meus amigos.
- Ele segue a justiça, não o sentimentalismo. – Corrigiu as suas palavras, após ouvir o que eu disse. Ele abriu a porta de seu carro, e eu entrei.
Seguimos até a minha casa em silêncio. Chegando lá eu subi pelo o elevador. Sai dele no 15º andar, onde eu antes morava, junto com meus pais. Abri a porta e entrei, fui direto a janela. O carro do Troy ainda estava parado, e ele estava indo em direção ao portão do meu prédio. 5 minutos depois ele bateu na porta da minha casa e entrou.
- E a minha casa? Como vai ficar? – Perguntei, olhando para as fotos da família.
- Ela vai ser vendida, como todo o resto... Carro, casa no litoral... – Falou Troy, baixando a cabeça.
- Até a casa do papai no lago Caddo? – Perguntei, focando os olhos na foto em que eu e meu pai pescávamos no lago.
- Infelizmente sim...
- Você não pode recorrer nem para casa do Lago? – Perguntei.
- Claro, se é isso que deseja. – Falou enfim Troy, forçando um singelo sorriso. – O dinheiro vai ser mandado todo para a conta do seu tio.
- Porque ele? Eu acharia mais seguro deixar tudo com você! – Falei
- A justiça decide Robbie, já te disse isso. – Falou Troy. Eu o olhei outra vez, desde a morte de meus pais, ele repetia essa frase quando eu protestava algo que a corte julgasse.
- Eu vou... Ajeitar minhas coisas. – Falei, apontando para o meu quarto.
- Claro, vou te esperar aqui. – Mal o esperei terminar, e corri para meu quarto e fechando a porta.
Parado a frente da porta, dei uma boa olhada em o que era meu quarto e me joguei na cama, chorando.
"Talvez eu não seja o que você pensa que eu sou, talvez eu seja o contrário."
